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Eleições de 2026 devem pesar mais sobre o Ibovespa nos próximos meses, avalia especialista

por | jan 26, 2026 | Geral

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrou forte alta na última semana e atingiu, pela primeira vez, o patamar histórico de 178 mil pontos. O avanço foi impulsionado principalmente por um cenário externo mais favorável, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar um tom mais moderado em relação à Groenlândia, o que ajudou a reduzir incertezas nos mercados internacionais.

Apesar do movimento positivo, o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, avalia que o cenário político interno tende a ganhar peso no desempenho da bolsa nos próximos meses. Em entrevista ao CNN Money, ele afirmou que a aproximação das eleições de 2026 deve aumentar a volatilidade e influenciar de forma mais direta o comportamento do Ibovespa.

Segundo o especialista, historicamente o investidor estrangeiro adota uma postura mais cautelosa em períodos eleitorais no Brasil, o que pode gerar oscilações mais intensas no mercado. Atualmente, o fluxo internacional ainda está concentrado em fatores externos, mas a fragmentação do cenário político brasileiro deve entrar no radar dos investidores ao longo do ano.

Cruz explicou que a recente valorização da bolsa é típica de um movimento de entrada de capital estrangeiro, concentrado principalmente nas chamadas blue chips, como ações de grandes empresas com alta liquidez, a exemplo de Vale, Petrobras e grandes bancos. Esses papéis têm maior peso no índice e permitem entradas e saídas rápidas, característica valorizada por investidores internacionais.

De acordo com o estrategista, esse perfil explica por que o capital estrangeiro costuma ficar mais distante das small caps, ações de empresas menores e com menor liquidez. Como muitos investidores operam em dólar, a facilidade para movimentar grandes volumes de recursos é um fator decisivo na escolha dos ativos.

Ao comentar o cenário econômico dos Estados Unidos, Gustavo Cruz destacou que a revisão do Produto Interno Bruto americano para 4,4% traz desafios adicionais para os mercados. Ele alertou que a inflação no país segue distante da meta de 2% e voltou a subir recentemente, o que pode intensificar disputas internas no Federal Reserve.

Segundo Cruz, as tarifas impostas pelo governo americano devem permanecer em vigor ao longo de todo o ano, diferentemente do que ocorreu no ano anterior, quando algumas medidas foram adiadas. Esse contexto pode pressionar ainda mais a inflação e gerar tensões entre dirigentes do banco central dos Estados Unidos alinhados ao presidente Trump, que defendem cortes mais rápidos nos juros, e membros mais tradicionais, preocupados com um possível descontrole inflacionário.

No cenário doméstico, o especialista também comentou os impactos da reforma tributária em implementação. Para ele, a possibilidade de tributação de dividendos pode afetar o sistema financeiro e alterar a alocação de recursos dos investidores, que tendem a buscar alternativas com maior retorno líquido.

Cruz avalia que setores como o agronegócio e o mercado imobiliário podem ganhar atratividade, assim como debêntures incentivadas voltadas à infraestrutura. Segundo ele, o mercado financeiro tende a se adaptar rapidamente às mudanças, criando soluções para maximizar o retorno dos investidores e manter a captação de recursos, mesmo diante de um ambiente mais desafiador.

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