Ex-prefeito Alcides Bernal usou arma ilegal e trocou fechaduras antes de matar fiscal em Campo Grande

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, e a vítima morta por ele na capital, Roberto Carlos Mazzini — Foto: Arquivo g1 e Redes Sociais
A investigação sobre o assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, ganhou novos contornos e levanta suspeitas de premeditação. A Polícia Civil confirmou que o ex-prefeito Alcides Bernal utilizou uma arma sem registro válido no crime ocorrido na última terça-feira (24), no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, o revólver calibre .38 usado no homicídio não possui autorização ativa. Bernal chegou a afirmar que tinha documentação do armamento, mas nenhum registro foi apresentado. Após consulta, a Polícia Federal confirmou que não há autorização válida em nome do ex-prefeito. Um possível registro antigo, de 2016, não está mais vigente e sequer corresponde à arma utilizada.
Outro ponto que chama atenção na investigação é a movimentação no imóvel onde ocorreu o crime. A casa, que já pertenceu a Bernal, havia sido comprada legalmente por Mazzini junto à Caixa Econômica Federal. Segundo a defesa da família da vítima, o ex-prefeito tinha ciência de que não era mais proprietário do imóvel.
Mesmo assim, o inquérito aponta que as fechaduras da residência foram trocadas várias vezes antes do homicídio, o que reforça a suspeita de que o local vinha sendo manipulado antes do confronto fatal.
A família de Mazzini afirma que ele entrou no imóvel acreditando estar vazio, conforme constava na documentação oficial. Desarmado, o servidor público não teria tido qualquer chance de reação.
As imagens de segurança também enfraquecem a tese de legítima defesa apresentada por Bernal. Segundo a polícia, os registros indicam que ele já entra no local armado e aponta diretamente para a vítima.
Com base nesses elementos, a linha de investigação se afasta da hipótese de reação imediata e passa a considerar a possibilidade de um crime premeditado. A perícia ainda analisa os vídeos e demais provas para concluir o caso.
Servidor da Secretaria Estadual de Fazenda desde 2008, Roberto Carlos Mazzini deixa esposa e três filhos. A família cobra justiça e responsabilização rigorosa pelo crime.
Com informações do G1/MS
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