redacao@onlinems.com.br

..::data e hora::.. 00:00:00

Juiz autoriza quebra de sigilo telefônico em investigação sobre latrocínio de padre em Dourados

por | dez 2, 2025 | Geral

Medida busca detalhar participação dos suspeitos, esclarecer contradições e identificar novos envolvidos no crime

O juiz Ricardo da Mata Reis, da Vara do Juiz das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal de Dourados (MS), autorizou a quebra do sigilo de dados telefônicos do padre Alexsandro da Silva Lima, 44 anos, e de todos os investigados pela morte do religioso, ocorrida em 14 de novembro. A decisão atende a pedido da Polícia Civil, que investiga o caso como latrocínio — roubo seguido de morte.

A medida, oficializada em despacho de 24 de novembro, determina que a perícia seja realizada pelo Núcleo Regional de Inteligência (NRI) e que o laudo seja concluído em até 30 dias. O objetivo é analisar ligações, mensagens e geolocalização dos celulares, permitindo reconstituir a dinâmica do crime e esclarecer a participação individual dos suspeitos.

Em sua decisão, o magistrado afirmou que a medida é proporcional diante da gravidade do crime:
“O direito à intimidade não se sobrepõe ao direito fundamental da sociedade de se ver protegida contra atos de agressão praticados por terceiros, respeitando-se o valor constitucional outorgado à segurança coletiva em detrimento do particular.”


Quem são os investigados

Segundo a Polícia Civil, ao menos seis pessoas participaram de diferentes etapas do crime — desde o planejamento até a ocultação do corpo e o furto de bens da residência do padre.

Permanecem detidos:

  • Leanderson de Oliveira Junior, 18 anos – apontado como autor do assassinato;
  • Adolescente de 17 anos – suspeito de auxiliar na execução e no planejamento da morte.

Respondem em liberdade:

  • João Victor Martins Vieira, 18 anos – investigado por limpar a cena do crime e furtar objetos;
  • Três adolescentes, de 16 e 17 anos – teriam participado da limpeza da casa e do roubo de pertences da vítima.

Os dois maiores de idade tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. Os adolescentes foram encaminhados à Unei de Dourados.


Entenda o caso

O padre Alexsandro, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina e figura influente na Diocese de Dourados, desapareceu na noite de 14 de novembro. Ele foi encontrado morto no dia seguinte, enrolado em um tapete, em uma área de mata no Distrito Industrial.

O carro da vítima foi localizado circulando pela cidade com dois suspeitos, que confessaram envolvimento no crime quando abordados. Dentro do veículo, foram apreendidos objetos pessoais do padre, além de uma faca e uma marreta — armas que, segundo as investigações, foram usadas no assassinato.


Crime premeditado, aponta investigação

De acordo com o delegado Lucas Albe Veppo, o crime foi meticulosamente planejado. O padre foi morto em sua própria casa, com golpes de marreta na cabeça e facadas no pescoço e no peito.

Leanderson teria relatado que, após o crime, deixou o corpo em um matagal, furtou o carro da vítima e circulou por vários pontos da cidade. Ele ainda levou a polícia ao local onde havia deixado o corpo.
O adolescente de 17 anos admitiu ter usado uma faca na vítima ao perceber que ela ainda respirava. Disse também que estava sob efeito de álcool.

Segundo a polícia, o grupo planejava vender o carro da vítima no Paraguai por cerca de R$ 40 mil.


Limpeza da cena do crime e furto de objetos

Os envolvidos também retiraram diversos itens da casa do padre, como:

  • celular,
  • ventilador,
  • panelas e utensílios domésticos,
  • xícaras,
  • airfryer,
  • vinho,
  • botijão de gás (vendido posteriormente),
  • joias e outros pertences.

A investigação avançou após o celular da vítima ser encontrado por um adolescente, que acionou a polícia. O veículo foi recuperado em seguida.


Quebra de sigilo deve ampliar investigação

Com a quebra de sigilo, os investigadores esperam:

  • analisar conversas entre os suspeitos antes e depois do crime;
  • verificar possíveis orientadores, cúmplices ou compradores interessados nos bens roubados;
  • identificar movimentações que comprovem ou contradigam os depoimentos;
  • reconstruir a linha do tempo dos acontecimentos entre a noite do crime e a prisão dos envolvidos.

O material extraído dos aparelhos será anexado ao inquérito policial, que apura latrocínio, ocultação de cadáver, fraude processual e furto qualificado.


Desdobramentos

Uma coletiva de imprensa está prevista para detalhar os próximos passos da investigação. Os suspeitos devem passar por audiência de custódia para atualização das medidas cautelares.

O padre Alexsandro foi velado e sepultado no dia 16 de novembro, em Dourados, e recebeu homenagens de fiéis e lideranças religiosas. A Prefeitura de Douradina divulgou nota lamentando a morte do sacerdote, considerado “um ser humano presente na vida da comunidade”.

0 comentários

Últimas Notícias