redacao@onlinems.com.br

..::data e hora::.. 00:00:00

Muçulmana de Campo Grande diz sofrer perseguição após início da guerra Hamas x Israel

por | out 20, 2023 | Geral

A campo-grandense Ananery Garcia Pereira, de 48 anos, que fez a reversão (conversão) há seis anos para o islamismo, relatou, que tem sido vítima de perseguição assim como outras pessoas da comunidade. Desde o início do conflito, enquanto alguns se aproximam para questionar o que acontece, outros partem para o ataque.

Segundo relatou ao Correio do Estado, enquanto retornava da Mesquita que fica na Avenida América, ao passar pela rua Marechal Cândido Mariano, um homem gritou: “Volta para sua terra, terrorista!”.

Além disso, em duas situações em que o serviço de motoristas por aplicativo quando o carro encostou ao perceberem ela usando o hijab, cancelaram a corrida e foram embora.

Ananery que está aposentada em detrimento de um câncer de estômago e intestino e precisa fazer tratamento para síndrome de crohn no Hospital Regional, relatou outros episódios como ovos sendo atirados na sua residência durante a madrugada.

Favorável a causa palestina irá participar da primeira manifestação de Campo Grande do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino de Mato Grosso do Sul. 

“Vivo e serei julgada no dia do juízo final como muçulmana”, expressou.

Ato em Solidariedade Ao Povo Palestino 

Diante do conflito viu-se a necessidade de manifestação contra a guerra e ações de panfletagem para estimular conversas com a comunidade e apresentar a versão do lado palestino. 

Para o Correio do Estado, a professora Doutora em Psicologia Social pela USP, e diretora de secretaria de mulheres da Fepal, Ashjan Sadique Adi, uma das idealizadoras do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino de MS, que realiza sua primeira manifestação, em Campo Grande, nesta sexta-feira (20), relatou que diante da desinformação a respeito do contexto histórico que envolve a região perceberam a necessidade de diálogo com a população.

“E ela [Joana Moroni] falou assim: vamos criar um grupo para debater essas questões, sobre o que está acontecendo e etc… E foi criado esse grupo com mais duas palestinas a Sondos e a Kemyla. Nesse grupo começamos a conversar sobre a Causa e tivemos a ideia de fazer o ato”, explicou Ashjan.

O Ato

A manifestação que será na Praça Ary Coelho vai promover ações e rodas de conversas com populares assim como panfletagem explicando mais sobre a causa da luta palestina. 

“Como a gente não sabe a quantidade de apoiadores, de participantes, a ideia inicial é fazermos um ato na praça. Com discursos, narrativas, explicando o que vem acontecendo na Palestina”, explicou Ashjan.

Conforme relatou, a questão da Palestina não iniciou no dia 7 de outubro. “Começou em 15 de maio de 1948, com a nakba, que é a nossa catástrofe, quando Israel se autoproclama estado na Palestina e expulsa 750 mil das suas casas. O problema não é de agora. As pessoas estão muito no presente e não conhecem o passado. Só vê a coisa imediata. A gente tem 75 anos de luta, a nossa ofensiva ou como a mídia coloca ‘o ataque do Hamas’ enfim, como se do nada o Hamas acordou. Não é isso, a gente está há sete décadas lutando contra o processo de colonialismo, apartheid, limpeza étnica e ocupação militar“, explicou.

Os pais de Ashjan chegaram no Brasil como imigrantes e no mundo são 6,2 milhões refugiados palestinos. Diante do que ocorre no conflito, ela faz o convite para que as pessoas venham até a praça conversar, entender a luta e conhecer a história.

“Convidamos todas as pessoas que se solidarizam com o povo palestino, para que se informem a respeito e venham aderir ao movimento”, diz a nota.

Palestinos de Corumbá na Capital

Conforme noticiado pelo Correio do Estado na quarta-feira (18), com intuito de alertar o massacre que está ocorrendo na guerra, em especial na faixa de Gaza, manifestantes tomaram a rua Frei Mariano, principal via comercial do Centro de Corumbá e realizaram uma caminhada pela paz promovida pela Sociedade Árabe Palestina do Município.

Após a caminhada pela paz, grupos de palestinos estão se deslocando para Campo Grande trazendo bandeiras, símbolos como o lenço que Yasser Arafat costumava usar – o ‘keffiyeh’ – sendo que 10 serão distribuídos durante a manifestação. 

“Os que estão vindo de Corumbá estão trazendo bandeiras, as ‘keffiyeh’ aquele lenço que o Yasser Arafat usa que é um símbolo palestino. Ele usava na cabeça, a gente pode usar na cabeça, no pescoço, como um xale nos ombros Ele [Arafat] começou com a luta armada com às guerrilhas e depois ele tentou a diplomacia, mas não foi o suficiente.”, disse.

Serviço: 

Ato em Solidariedade ao Povo Palestino / Campo Grande (MS)
17h, na Praça Ary Coelho, na Avenida Afonso Pena

Divulgação Evento

Contexto histórico

Para o jornalista, especializando em Relações Internacionais e pesquisador do Hamas, Norberto Liberator, há um recorte feito pela “grande imprensa brasileira, a mídia hegemônica” pautada pelos Estados Unidos, que por sua vez é ligado a Israel.


“Geralmente o que nós vemos da abordagem que é dada é a israelense. Por exemplo, considerar o Hamas um grupo terrorista. Nenhum país da América Latina considera o Hamas como terrorista, reconhece como partido político. E quem considera como terrorista são os Estados Unidos e a União Europeia.
Remoção forçada


O conflito inicia em 1948, no momento em que a Organização das Nações Unidas decide criar o estado de Israel como uma forma de compensação do holocausto, na Segunda Gerra Mundial.


“Essa demanda de uma pátria judaica já era anterior ao holocausto, porque os judeus sempre sofreram perseguição no mundo todo, sobretudo na Europa.

A Onu definiu quais seriam essas fronteiras, mas esse processo não ocorre de uma forma pacífica. Parte dos judeus que tinham mais dinheiro foram para lá antes do processo iniciar. E colocaram em prática o que os palestinos e os adeptos da causa Palestina chamam de nakba, que significa tragédia em árabe. Foi uma campanha enorme de remoção forçada de pessoas, incêndio de residências, como eles tinham mais dinheiro para ter armamento, ameaçavam ‘ou você sai da sua casa, ou morre’. Muita gente preferiu morrer. Outras pessoas fugiram”, explica o especialista.


Segundo a Agência da Onu para Refugiados (ACNUR) dados apresentados no relatório “Tendências Globais 2020”, 82,4 milhões de pessoas forçadas a se deslocar em todo o mundo, fugindo de guerras. Sendo que os palestinos são um total de 5,7 milhões.


“Então começa ali no que os palestinos chamam de nakba que é esse processo de remoções forçadas, incêndios de muita violência de grupos judaicos. É bom frisar que não são todas as pessoas que foram para Israel que fizeram isso. Mas grupos extremistas, pessoas com maior poder aquisitivo chegaram ali e foram fazendo essa desocupação violenta do que estava ali”.


Outro ponto levantado, por Norberto, acerca da formação do primeiro exército de Israel – Forças de Defesa de Israel (DEF) -, indica que nasceu como uma organização terrorista que saia matando pessoas na Palestina. 


“Esses grupos paramilitares foram incorporados ao que se tornou depois o Exército de Israel. Esse ataque que ocorreu agora tem muita relação com quem está no poder hoje em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que faz parte de um partido de extrema-direita (Likud), que não reconhece um estado palestino. Não negocia essa possibilidade. Tanto que os israelenses mais de esquerda tem acusado o Netanyahu, de ser o grande responsável pelo que aconteceu justamente por essa postura intransigente dele”.


Após as remoções forçadas, o especialista aponta que Israel ocupa praticamente todo o território da Palestina. https://brasil.un.org/pt-br/62959-israel-bloqueio-%C3%A0-faixa-de-gaza-e-assentamentos-na-cisjord%C3%A2nia-s%C3%A3o-alvos-de-cr%C3%ADtica-da-onuEmbora vários países árabes tenham atacado Israel como represália pelas remoções forçadas à época. Israel conseguiu sair vitoriosa ao receber apoio militar dos Estados Unidos. E não pararam de trabalhar para se transformar na potência militar que são no cenário atual.


“A cada guerra eles expandiam o seu território, ou seja, invadiam mais territórios palestinos. Nos anos 1990 tiveram os acordos de Oslo, que foram acordos feitos entre lideranças palestinas, com o Yasser Arafat e o primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin. E ali, Israel passou a reconhecer a autoridade Palestina, mas até hoje controlam a energia elétrica, abastecimento de água, comida. Tem muito racionamento feito por Israel.

Rabin (à esquerda), aperta a mão de Arafat, ao centro o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Acordo foi fermentado em Oslo e assinado em 1995. O que culminou no assassinato de Rabin por um extremista israelense que era contra o acordoEscreva a legenda aqui

Hoje a Palestina se divide entre s Cisjordânia e a Faixa de Gaza, de onde é falado onde ocorreu isso”
A Faixa de Gaza está localizada entre Israel e o Egito. A faixa de Gaza chegou a ser apontada pela Organização das Nações Unidas e entidades de direitos humanos como a maior prisão a céu aberto do mundo, conforme levantado pelo especialista.

“Isso porque Israel não permite que eles saiam dali e controla quem entra também. Além de controlar saída e entrada de alimentos. Por isso foi tão violento isso que ocorreu cortarem alimentos, águas e tudo mais que aconteceu para a Palestina. Basicamente o Netanyahu está usando uma política que é um crime de guerra, de matar as pessoas de sede e de fome. Por um ataque pelo qual elas não têm nenhuma responsabilidade. Pessoas inocentes não tem culpa por uma determinada atitude do Hamas”, diz o especialista.

Entenda início conflito
dia 7 de outubro 

O conflito teve início no dia 7 de outubro, quando o Hamas com ao menos 1.500 homens rompeu o bloqueio à Faixa de Gaza e realizaram a incursão pela região sul de Israel, deixaram mais de 1.300 mortos e sequestraram reféns.

Integrantes do Hamas, com uso de drones carregados de explosivos, usaram para destruir desde torres de vigilância até veículos militares. A primeira linha de defesa de Israel havia sucumbido, e os terroristas iniciaram uma invasão por terra, água e ar, acompanhada pelo disparo de milhares de foguetes.

O episódio é apontado como uma das maiores falhas dos serviços de inteligência de Israel, comparável à ocorrida 50 anos antes, quando a Síria e o Egito lançaram um ataque surpresa na Guerra do Yom Kippur. Por volta das 6h30 da manhã, as autoridades israelenses se deram conta do ataque e acionaram as sirenes de alerta.

Fonte: Correio do Estado

0 comentários

Últimas Notícias