redacao@onlinems.com.br

..::data e hora::.. 00:00:00

Eles venderam a Ipioca por quase R$ 1 bilhão… e anos depois ficaram ainda mais ricos

por | jul 10, 2026 | Geral

Poucas histórias empresariais brasileiras ilustram tão bem a importância da visão de longo prazo quanto a da família Telles, responsável por transformar uma pequena produção artesanal na marca de cachaça mais conhecida do Nordeste e, posteriormente, em um grupo empresarial bilionário.

A trajetória começou em 1846, quando o português Dário Telles, então com apenas 17 anos, desembarcou no Ceará disposto a construir uma vida na agricultura. O plano, porém, foi interrompido por uma forte seca, que comprometeu as lavouras e obrigou a família a buscar uma alternativa de sobrevivência.

Foi então que um antigo alambique de cobre, praticamente esquecido na propriedade, mudou completamente o rumo da história.

Um alambique deu origem a uma das maiores marcas de cachaça do Brasil

Sem muitas opções, Dário passou a produzir cachaça utilizando o equipamento. O primeiro lote foi bem aceito na região e rapidamente a atividade deixou de ser uma alternativa temporária para se tornar o principal negócio da família.

Ao longo das décadas, diferentes gerações assumiram a empresa, enfrentando crises econômicas, dificuldades financeiras e mudanças no mercado brasileiro.

Em um dos períodos mais delicados, um dos herdeiros precisou vender lenha para quitar dívidas herdadas da geração anterior, evitando o fechamento definitivo da empresa.

Apesar das dificuldades, o negócio continuou crescendo e consolidou a marca Ipioca como uma das mais tradicionais do país.

A estratégia que mudou o destino da empresa

A grande transformação aconteceu na década de 1970, quando Everardo Telles assumiu a liderança do grupo.

Sua filosofia empresarial era simples, mas extremamente eficiente: todo problema operacional deveria se transformar em uma oportunidade de negócio.

Sempre que a empresa identificava uma deficiência em sua cadeia produtiva, criava uma nova companhia para resolver aquele problema. Mas havia uma condição: essa empresa também deveria atender clientes externos, tornando-se rentável por conta própria.

Foi dessa estratégia que nasceram empresas como:

  • Iplastic (embalagens);
  • Santelisa (papelão);
  • Naturágua;
  • operações ligadas ao agronegócio;
  • distribuição de combustíveis;
  • turismo e outros segmentos.

A diversificação fortaleceu o grupo e reduziu sua dependência da cachaça, criando novas fontes de receita.

A venda histórica para a Diageo

Em 2012, a multinacional britânica Diageo, proprietária de marcas como Johnnie Walker, Smirnoff, Tanqueray e Guinness, fez uma proposta para adquirir a Ipioca.

O negócio foi fechado por aproximadamente R$ 900 milhões, uma das maiores aquisições já realizadas no setor brasileiro de bebidas.

Mas havia um detalhe que poucos perceberam.

A família vendeu apenas a marca Ipioca e a operação de bebidas.

As duas destilarias responsáveis pela produção de grande parte da matéria-prima permaneceram sob controle da família Telles.

Na prática, a marca mudou de dono, mas parte importante da cadeia produtiva continuou pertencendo aos antigos proprietários, garantindo uma fonte contínua de negócios.

O dinheiro virou novos investimentos

Após a venda, cerca de R$ 200 milhões foram reinvestidos em novos projetos.

Os recursos impulsionaram negócios nos setores de:

  • agronegócio;
  • embalagens;
  • papel;
  • combustíveis;
  • turismo;
  • logística.

Sob a liderança da empresária Aline Telles, o grupo acelerou sua estratégia de diversificação.

O resultado chamou atenção do mercado: mesmo sem controlar a operação da tradicional cachaça, o conglomerado empresarial alcançou aproximadamente R$ 1 bilhão em faturamento anual, demonstrando que o verdadeiro patrimônio da família nunca foi apenas uma marca, mas sua capacidade de construir empresas.

Uma lição de estratégia empresarial

Especialistas em gestão costumam apontar que empresas familiares sustentáveis possuem três características em comum: capacidade de adaptação, reinvestimento dos lucros e planejamento sucessório.

A trajetória da família Telles reúne esses três elementos.

Em vez de concentrar todo o patrimônio em um único produto, o grupo utilizou décadas de experiência para criar um ecossistema de empresas capazes de crescer de forma independente.

A venda da Ipioca, portanto, não marcou o fim da história da família no mundo dos negócios, mas o início de uma nova fase, baseada na diversificação e na geração de valor em diferentes setores da economia.

0 comentários

Enviar um comentário

Últimas Notícias