A mamoplastia redutora é conhecida principalmente por aliviar dores nas costas, reduzir desconfortos físicos e melhorar a qualidade de vida de mulheres com mamas volumosas. Agora, um estudo preliminar divulgado em março de 2026 levanta uma nova possibilidade: o procedimento pode estar associado à diminuição do risco de desenvolver doenças metabólicas ao longo dos anos.
A pesquisa, que ainda está em fase de revisão por pares, analisou dados de milhares de mulheres entre 18 e 50 anos. As participantes foram divididas em grupos de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC), permitindo que os pesquisadores comparassem mulheres que realizaram a cirurgia com outras de características semelhantes que não passaram pelo procedimento.
Os resultados apontaram que pacientes submetidas à mamoplastia redutora apresentaram menor incidência de condições como diabetes tipo 2, pré-diabetes e hipertensão ao longo de um período de acompanhamento de aproximadamente dez anos.
Benefícios além da estética
A mamoplastia redutora consiste na remoção do excesso de tecido mamário, gordura e pele, além do reposicionamento das mamas para proporcionar maior equilíbrio corporal e conforto funcional.
Tradicionalmente, a cirurgia é indicada para mulheres que enfrentam sintomas como dores nas costas, nos ombros e no pescoço, além de problemas posturais, irritações na pele e dificuldades para a prática de atividades físicas.
O estudo sugere que os benefícios do procedimento podem ultrapassar a esfera física imediata e impactar indiretamente a saúde metabólica.
Relação com a prática de atividades físicas
Segundo os pesquisadores, a associação foi mais evidente entre mulheres com IMC considerado normal ou com sobrepeso. Já entre pacientes com obesidade, os resultados apareceram de forma menos consistente.
Para especialistas, uma das explicações mais plausíveis está relacionada à mudança de comportamento após a cirurgia.
A cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que muitas mulheres passam a se movimentar com mais liberdade após a redução do volume mamário.
“Quando a mulher deixa de conviver com limitações causadas pelo peso das mamas, ela tende a se movimentar com mais conforto e aderir com mais facilidade à prática de exercícios, o que favorece ganhos para a saúde como um todo”, afirma.
Com menos dores e desconfortos, atividades como caminhada, corrida, musculação e exercícios aeróbicos tornam-se mais acessíveis, contribuindo para melhor controle do peso corporal, da pressão arterial e dos níveis de glicose.
Estudo ainda é preliminar
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o trabalho ainda não comprova uma relação direta de causa e efeito entre a cirurgia e a redução das doenças metabólicas.
Por estar em fase de revisão científica, serão necessários novos estudos para confirmar os achados e entender quais mecanismos podem explicar essa associação.
Ainda assim, os dados reforçam a importância de enxergar a mamoplastia redutora não apenas como um procedimento estético, mas também como uma intervenção capaz de melhorar significativamente a qualidade de vida, o bem-estar físico e a saúde geral de muitas mulheres.
Enquanto novas pesquisas são desenvolvidas, especialistas ressaltam que hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios continuam sendo os pilares fundamentais para a prevenção de diabetes, hipertensão e outras doenças metabólicas.


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