Redução dos pelos pode acompanhar a doença arterial periférica, mas sua presença não comprova saúde vascular; dor ao caminhar, pés frios e feridas persistentes também merecem atenção.
Um detalhe que costuma passar despercebido pode fazer parte da avaliação da circulação: os pelos nos dedos dos pés e nas pernas. A diminuição do crescimento desses fios está entre as alterações que podem acompanhar a doença arterial periférica (DAP), condição que reduz a chegada de sangue aos membros.
Isso, porém, não significa que ter pelos nos dedos seja um “certificado” de boa circulação. A presença dos fios não descarta doença vascular, assim como a ausência deles, isoladamente, não confirma um problema. Nas orientações médicas, alterações dos pelos são consideradas junto de sintomas, fatores de risco e exame físico.
O que os pelos têm a ver com a circulação?
Quando o fornecimento de sangue aos tecidos fica comprometido, podem ocorrer mudanças na pele, nas unhas e no crescimento dos pelos. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) inclui a interrupção do crescimento dos pelos das pernas e das unhas dos pés entre os possíveis sinais da DAP.
A diretriz de 2024 elaborada por entidades como a American Heart Association e o American College of Cardiology também cita o crescimento assimétrico dos pelos entre os achados que podem sugerir isquemia — redução do suprimento sanguíneo. Trata-se de uma pista clínica, que precisa ser interpretada no contexto de cada paciente.
Portanto, perceber uma mudança recente merece atenção, especialmente quando ela vem acompanhada de outros sintomas. Afirmar que a perda repentina dos fios é, por si só, um alerta precoce de DAP vai além do que essas referências estabelecem.
O que é a doença arterial periférica?
A DAP ocorre quando as artérias que levam sangue para regiões como pernas e pés ficam estreitadas ou obstruídas. Sua causa mais comum é a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas paredes dos vasos.
Esse comprometimento pode limitar a chegada de sangue e oxigênio aos músculos durante atividades como caminhar. Além disso, a DAP está associada a maior risco de infarto e acidente vascular cerebral, pois a aterosclerose também pode atingir outros territórios do organismo.
A doença pode existir sem a dor mais conhecida
Segundo o NHLBI, aproximadamente uma em cada quatro pessoas com DAP apresenta os sintomas clássicos, como dor nas pernas durante o esforço que melhora com o repouso. Mais da metade tem manifestações atípicas e cerca de uma em cada cinco não relata sintomas.
Esses números ajudam a entender por que observar apenas os pelos, ou esperar uma dor intensa para procurar atendimento, pode deixar alterações importantes passarem despercebidas.
Quais sinais merecem atenção?
Entre as manifestações descritas pelas referências médicas estão:
- Dor, cãibra ou sensação de peso nas pernas ao caminhar, com melhora após descansar.
- Um pé mais frio que o outro.
- Mudanças na coloração da pele.
- Dormência ou fraqueza.
- Feridas nos pés ou dedos que demoram a cicatrizar.
- Crescimento reduzido dos pelos e das unhas.
A combinação desses sinais justifica avaliação médica.
Quem tem maior risco?
Tabagismo, diabetes, pressão alta e colesterol elevado estão entre os principais fatores de risco. O avanço da idade e o histórico familiar de doenças cardiovasculares também devem ser considerados.
Por isso, mudanças nos pés merecem atenção especial em pessoas que já convivem com esses fatores, mesmo quando os sintomas parecem discretos.
Como a circulação é avaliada?
A investigação começa com o histórico de saúde, a descrição dos sintomas e o exame físico, incluindo a avaliação dos pulsos e da pele dos membros.
Um dos exames utilizados é o índice tornozelo-braquial, que compara a pressão arterial medida no tornozelo com a do braço. Ele ajuda a identificar redução do fluxo sanguíneo para as pernas. A indicação depende da avaliação do profissional de saúde.
Quando procurar atendimento imediato
Um pé que fica subitamente frio ou pálido, acompanhado de dor intensa, perda de sensibilidade ou dificuldade para movimentá-lo, pode indicar uma interrupção aguda da circulação. Esses sinais exigem atendimento de urgência.
Para cuidar da saúde vascular, as recomendações incluem abandonar o cigarro, controlar diabetes, pressão e colesterol, manter alimentação equilibrada e praticar atividade física conforme a orientação da equipe de saúde. Observar os pés ajuda a perceber mudanças; o diagnóstico exige avaliação clínica.
Fontes consultadas: NHLBI/Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos; Mayo Clinic; diretriz de 2024 sobre doença arterial periférica das extremidades inferiores, elaborada por sociedades médicas lideradas por AHA e ACC.





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