Dados do SUS apontam redução nos exames de rastreamento entre 2024 e 2025; SES orienta sobre hábitos saudáveis, sinais de alerta e acesso à avaliação
O cuidado com a saúde das mamas precisa fazer parte da rotina antes, durante e depois do Outubro Rosa. Em Mato Grosso do Sul, dados dos sistemas de informação do Sistema Único de Saúde (SUS), apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), mostram que foram realizadas 40.461 mamografias bilaterais de rastreamento em mulheres de 50 a 74 anos em 2025. No ano anterior, foram 50.459.
A diferença corresponde a 9.998 exames, uma redução de aproximadamente 19,8%. Os números reforçam a importância de acompanhar o acesso ao rastreamento, mas, isoladamente, não permitem identificar as causas da diminuição nem concluir que houve menor procura por parte das mulheres.
No mesmo levantamento, foram registrados 740 casos de câncer de mama em 2024 e 502 em 2025. A comparação desses registros também exige cautela: a redução nos sistemas de informação, por si só, não comprova que o risco de adoecimento tenha diminuído na população.
Diante desse cenário, a SES reforça que informação, hábitos saudáveis, reconhecimento de alterações e acesso aos serviços de saúde devem caminhar juntos. Quando existe suspeita da doença, a avaliação e o início oportuno do tratamento são fundamentais para ampliar as possibilidades de melhores resultados.
Cuidados precisam continuar depois da campanha
Para a gerente de Atenção à Oncologia da SES, Michele Martins, o Outubro Rosa deve estimular uma atenção permanente à saúde das mamas.
“Cuidar da saúde das mamas é um compromisso que precisa estar presente durante todo o ano”, destaca.
Segundo a gestora, esse compromisso envolve conhecer o próprio corpo, adotar hábitos saudáveis, observar possíveis mudanças e procurar uma unidade de saúde sempre que necessário. A mamografia integra esse cuidado, conforme as recomendações e a avaliação de cada situação.
A campanha também ajuda a esclarecer uma diferença importante: reduzir o risco de desenvolver a doença e identificar precocemente um câncer são objetivos complementares. Enquanto hábitos saudáveis contribuem para a prevenção, o rastreamento busca encontrar alterações antes do aparecimento de sintomas.
Hábitos cotidianos ajudam a reduzir o risco
Praticar atividade física, manter o peso adequado, adotar uma alimentação equilibrada e evitar bebidas alcoólicas são medidas que contribuem para reduzir o risco de câncer de mama. Não fumar também faz parte dos cuidados com a saúde.
Essas atitudes, porém, não oferecem proteção absoluta. O desenvolvimento da doença envolve fatores que podem ser modificados e outros sobre os quais a pessoa não tem controle, como o envelhecimento e determinadas características genéticas e da história reprodutiva.
O histórico familiar de câncer de mama ou de ovário merece atenção e deve ser informado à equipe de saúde. A presença desses antecedentes não significa que a doença necessariamente ocorrerá, assim como a ausência deles não elimina a possibilidade de diagnóstico.
Por isso, o acompanhamento deve considerar as características e as necessidades de cada pessoa.
Mamografia: quem deve fazer e com qual frequência?
Para mulheres de risco habitual, sem sinais ou sintomas, a recomendação do Ministério da Saúde é realizar mamografia de rastreamento a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos.
Mulheres de 40 a 49 anos também podem acessar o exame pelo SUS, mediante orientação e decisão compartilhada com o profissional de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos. Essa faixa etária não é a prioritária do rastreamento populacional organizado.
A superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, orienta que as mulheres procurem os serviços para esclarecer dúvidas sobre a realização do exame.
“Diante de qualquer alteração suspeita, a avaliação deve ser realizada independentemente da idade”, afirma.
A orientação é essencial para evitar que uma pessoa com sintomas espere atingir a idade recomendada para a mamografia de rotina. O rastreamento é destinado a quem não apresenta sinais suspeitos; a investigação de uma alteração exige avaliação específica, em qualquer idade.
Pessoas com risco elevado podem precisar de acompanhamento diferenciado, definido pela equipe de saúde.
Quais mudanças nas mamas merecem atenção?
Conhecer a aparência e as características habituais das mamas ajuda a perceber mudanças. Entre os sinais que precisam de avaliação estão:
- Surgimento de nódulo, especialmente quando endurecido, fixo ou em crescimento;
- Retração da pele ou aspecto semelhante ao de casca de laranja;
- Vermelhidão ou outras alterações persistentes na pele da mama;
- Mudança no formato ou na posição do mamilo;
- Saída espontânea de líquido pelo mamilo;
- Aparecimento de nódulos na região das axilas.
Nem toda alteração significa câncer. Ainda assim, mudanças suspeitas devem ser avaliadas por um profissional para definir a necessidade de investigação.
Essa observação pode acontecer em situações do cotidiano, como durante o banho ou ao trocar de roupa. Conhecer o próprio corpo, entretanto, não substitui os exames indicados nem a avaliação profissional.
Onde buscar atendimento
A orientação da SES é procurar a unidade de saúde de referência do município para esclarecer dúvidas, receber orientações sobre mamografia ou relatar alterações nas mamas.
Embora seja muito mais frequente em mulheres, o câncer de mama também pode ocorrer em homens. Por isso, sinais suspeitos precisam ser avaliados em ambos.
O Outubro Rosa amplia a visibilidade do tema, mas o cuidado depende de continuidade: informação acessível, acompanhamento, exames quando indicados e atendimento oportuno diante de qualquer mudança.





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