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R$ 265 milhões em dívidas: recuperação judicial acende alerta sobre futuro do Habib’s

por admin | set 1, 2026 | Geral

Processo envolve empresas ligadas às marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill; grupo afirma que restaurantes continuam funcionando normalmente

A Justiça de São Paulo deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill. No processo, o conglomerado declarou aproximadamente R$ 265,2 milhões em dívidas e agora terá 60 dias para apresentar um plano detalhado de reestruturação aos credores.

A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e ficará responsável por acompanhar as atividades das empresas, analisar documentos e fiscalizar o cumprimento das determinações.

Apesar da repercussão, a recuperação judicial não representa a falência do Habib’s nem significa o fechamento imediato dos restaurantes. O procedimento previsto em lei permite que empresas em dificuldades financeiras continuem operando enquanto negociam prazos, descontos e formas de pagamento com os credores.

Processo alcança diferentes áreas do grupo

O processo nº 4158804-81.2026.8.26.0100 reúne cerca de 180 empresas, produtores e sociedades relacionados à estrutura do Grupo Gennius. As fontes consultadas apresentam pequenas diferenças quanto ao número exato de requerentes.

De acordo com os documentos e informações divulgadas sobre a ação, a estrutura abrangida inclui:

  • Dez franqueadoras e holdings de participação;
  • 17 sociedades operacionais;
  • Seis churrascarias Tendall;
  • 119 lojas Habib’s;
  • 26 unidades Ragazzo;
  • Empresas de produção, distribuição e apoio;
  • Produtores rurais vinculados à cadeia produtiva.

Os empresários Alberto Saraiva, fundador do Habib’s, e Belchior Saraiva também aparecem no processo em razão de atividades rurais relacionadas ao abastecimento do grupo.

As franquias administradas por empresários independentes não são automaticamente incluídas na recuperação. Entretanto, podem sofrer reflexos indiretos, já que empresas do grupo atuam no fornecimento de insumos, suporte, publicidade e treinamento.

Bancos concentram quase 67% da dívida

A relação inicial apresentada pelo Grupo Gennius possui aproximadamente 1.496 credores. As instituições financeiras concentram cerca de R$ 177,5 milhões, equivalente a quase 67% do passivo submetido à recuperação.

Entre os principais credores estão:

  • Bradesco: aproximadamente R$ 81,4 milhões;
  • Banco Original: R$ 54,9 milhões;
  • Daycoval: R$ 32,1 milhões;
  • Banco Inter: R$ 7,3 milhões;
  • Itaú: cerca de R$ 1 milhão;
  • Ouribank: aproximadamente R$ 746,6 mil.

A lista também inclui fornecedores ligados à produção de alimentos e ao agronegócio, entre eles empresas como JBS e Seara.

Pandemia, delivery e juros elevados

O Grupo Gennius atribui a deterioração financeira a uma combinação de fatores. Entre eles estão os impactos da pandemia sobre restaurantes e lojas físicas, as mudanças nos hábitos dos consumidores e o crescimento das plataformas de entrega.

A empresa também apontou o aumento das taxas de juros, que encareceu a captação de recursos e a renegociação dos empréstimos. Com parcelas maiores do fluxo de caixa destinadas ao serviço da dívida, a capacidade de investimento e o capital de giro teriam sido comprometidos.

Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo tentou negociar os passivos por meio de mediação pré-processual. A tentativa, porém, não resultou em um acordo definitivo com os credores.

Pedidos foram aceitos apenas parcialmente

Além de autorizar o processamento da recuperação, o magistrado determinou a suspensão de determinadas ações e execuções contra os devedores, respeitadas as exceções previstas em lei.

A Justiça também proibiu que credores sujeitos à recuperação interrompam contratos essenciais unicamente porque o grupo entrou com o processo. Cada contrato, entretanto, poderá ser analisado individualmente.

Por outro lado, o juiz negou o pedido para liberar todos os recebíveis entregues aos bancos como garantia fiduciária. Com isso, determinadas instituições poderão continuar retendo esses recursos, o que representa uma pressão adicional sobre o caixa.

O pedido para que o processo tramitasse integralmente em segredo de Justiça também foi rejeitado. Somente documentos com dados empresariais ou pessoais sensíveis permanecerão protegidos.

O que acontece agora?

O Grupo Gennius terá prazo improrrogável de 60 dias para apresentar seu plano de recuperação. O documento deverá detalhar como pretende reorganizar as atividades e pagar os credores.

Depois da publicação do plano, os credores poderão apresentar objeções. Caso não haja consenso, a proposta poderá ser discutida e votada em assembleia.

Se o plano não for apresentado no prazo ou se as exigências legais forem descumpridas, existe a possibilidade de conversão da recuperação em falência. Por enquanto, não há decisão nesse sentido.

Restaurantes continuam funcionando

Em nota, o Grupo Habib’s afirmou que a medida integra um processo de reestruturação financeira destinado a preservar a sustentabilidade e a evolução dos negócios no longo prazo.

A companhia declarou ainda que suas operações continuam normalmente, mantendo atendimento, rotina e qualidade das unidades.

Portanto, a decisão judicial abre uma etapa de negociação com os credores, mas não determina o encerramento das marcas Habib’s, Ragazzo ou Tendall Grill.

Fontes: Tribunal de Justiça de São Paulo – processo nº 4158804-81.2026.8.26.0100; Forbes BrasilMigalhasFolha de S.Paulo.

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