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72% dos brasileiros têm problemas de sono; saiba como enfrentar um dia após a insônia

por admin | set 22, 2026 | Geral

Manter parte da rotina pode ajudar a preservar o sono da noite seguinte, mas especialistas alertam que atividades de risco, como dirigir ou operar máquinas, devem ser evitadas

Passar a noite em claro não provoca apenas cansaço. A privação de sono compromete a atenção, a memória, o raciocínio, o tempo de reação e a capacidade de tomar decisões, dificultando atividades no trabalho, na escola ou na faculdade.

O problema atinge uma parcela expressiva da população. Levantamento atribuído à Fundação Oswaldo Cruz, realizado em 2023, aponta que 72% dos brasileiros convivem com alguma alteração ou distúrbio relacionado ao sono. Entre as condições mais citadas estão insônia e apneia.

Depois de uma noite completamente acordado, tarefas aparentemente simples podem exigir esforço muito maior. A pessoa pode apresentar irritabilidade, dificuldade para organizar pensamentos, esquecimento, sonolência, alterações de humor e pequenos lapsos de atenção.

Estudos científicos demonstram que a privação total do sono prejudica especialmente a atenção e a memória de trabalho, responsáveis por manter e utilizar informações durante uma tarefa. Os chamados “microssonos” — episódios involuntários de sono que podem durar poucos segundos — também se tornam mais prováveis.

É preciso manter a rotina?

Segundo o médico psiquiatra Marco Abud, simplesmente cancelar todas as atividades e passar o dia inteiro deitado pode dificultar o sono na noite seguinte. A orientação geral é tentar preservar horários e manter alguma exposição à luz natural, além de realizar atividades físicas e mentais compatíveis com o estado da pessoa.

Isso não significa, entretanto, forçar o organismo ao limite. Após uma noite sem dormir, exercícios extenuantes, decisões importantes e trabalhos que exijam precisão devem ser revistos. Caminhadas leves, tarefas simples e atividades moderadas podem ajudar a manter o ritmo do dia sem aumentar desnecessariamente o risco de acidentes.

Caso a sonolência esteja intensa, um cochilo curto pode ajudar temporariamente na recuperação do estado de alerta. Cochilos longos ou realizados no fim da tarde, porém, podem reduzir a pressão natural de sono e dificultar o descanso noturno.

Dirigir pode ser perigoso

O maior sinal de alerta está nas atividades que exigem reflexos rápidos. A sonolência reduz a atenção, retarda o tempo de reação e prejudica a tomada de decisões, mesmo quando o motorista acredita conseguir permanecer acordado.

Dados apresentados pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos indicam que permanecer acordado por aproximadamente 17 horas pode produzir comprometimento semelhante ao observado com concentração de álcool no sangue de 0,05%. Após 24 horas acordado, o prejuízo pode se aproximar daquele associado a 0,10%. A comparação não significa que os efeitos sejam idênticos em todas as pessoas, mas evidencia a perda de desempenho provocada pela privação de sono.

Por isso, quem passou a noite inteira sem dormir deve evitar dirigir, pilotar, operar máquinas, trabalhar em altura ou executar qualquer atividade na qual um breve lapso de atenção possa causar um acidente. Café, banho frio e música alta podem produzir sensação passageira de alerta, mas não substituem o sono. Em quadros intensos, nem mesmo cafeína combinada com um cochilo garante condições seguras para dirigir.

O que fazer depois de uma noite em claro?

  • Exponha-se à luz natural pela manhã;
  • Mantenha horários próximos aos habituais;
  • Hidrate-se e faça refeições equilibradas;
  • Consuma cafeína com moderação e evite-a no fim do dia;
  • Prefira atividades leves ou moderadas;
  • Evite dirigir e realizar tarefas perigosas;
  • Não use medicamentos para dormir sem orientação médica;
  • Prepare um ambiente escuro, silencioso e confortável à noite;
  • Evite tentar “compensar” dormindo o dia inteiro.

Quando procurar atendimento

Uma noite ocasional de sono ruim pode acontecer por estresse, ansiedade, mudanças na rotina ou consumo de estimulantes. Quando a dificuldade para dormir se repete, provoca prejuízo durante o dia ou vem acompanhada de roncos intensos, pausas respiratórias, crises de ansiedade ou uso frequente de medicamentos, é necessário procurar avaliação médica.

A insônia crônica precisa ser investigada porque pode estar associada a transtornos de saúde mental, problemas respiratórios, doenças clínicas e hábitos inadequados. Diretrizes médicas recomendam intervenções comportamentais e psicológicas específicas para o tratamento da condição, de acordo com a avaliação individual.

O estudo “The Societal Costs of Insomnia”, publicado no periódico Neuropsychiatric Disease and Treatment, destaca que a insônia afeta capacidades cognitivas e psicomotoras, aumenta a fadiga e prejudica o humor, a produtividade e a qualidade de vida. O trabalho também relaciona o problema a acidentes de trânsito, acidentes ocupacionais, quedas e fraturas entre idosos.

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