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Açúcar ou gordura: afinal, qual é o verdadeiro inimigo do coração?

por admin | set 17, 2026 | Geral

Publicações nas redes sociais afirmam que carnes gordurosas, torresmo e banha não provocam doenças cardiovasculares, mas especialistas e diretrizes alertam que a prevenção do infarto não permite apontar um único vilão

Uma publicação que circula nas redes sociais afirma que o “inimigo número um do coração” não seria a carne gordurosa, o torresmo ou a banha de porco, mas o excesso de açúcar e carboidratos refinados. Embora o conteúdo acerte ao destacar os riscos de uma alimentação rica em açúcar e ultraprocessados, a conclusão de que as gorduras animais não contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares é enganosa.

A ciência mostra que o infarto não possui uma única causa. O problema geralmente é resultado da combinação de fatores como colesterol LDL elevado, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade abdominal, histórico familiar, alimentação inadequada, estresse crônico e envelhecimento.

Gordura saturada também exige atenção

Carnes gordurosas, torresmo e banha são fontes de gordura saturada. Quando consumida em excesso, essa gordura pode elevar o colesterol LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”.

O LDL participa diretamente da formação e da progressão das placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose. Com o passar do tempo, essas placas podem reduzir ou interromper o fluxo sanguíneo e provocar infarto ou acidente vascular cerebral.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que as gorduras saturadas representem menos de 10% das calorias diárias. A orientação é substituí-las, sempre que possível, por gorduras insaturadas encontradas em alimentos como peixes, azeite, castanhas, sementes e abacate. OMS

Isso não significa que uma pessoa saudável precise eliminar completamente a carne suína ou bovina. Quantidade, frequência, corte escolhido, modo de preparo e o conjunto da alimentação fazem diferença. O problema está em apresentar torresmo ou banha como alimentos sem impacto cardiovascular.

Açúcar e refinados também aumentam o risco

Por outro lado, o alerta sobre açúcar, farinha refinada e ultraprocessados tem fundamento. O consumo frequente e excessivo desses alimentos pode favorecer ganho de peso, resistência à insulina, diabetes tipo 2, elevação dos triglicerídeos e acúmulo de gordura visceral.

Triglicerídeos elevados associados ao HDL baixo podem formar um perfil metabólico chamado dislipidemia aterogênica, frequentemente relacionado à resistência à insulina e ao maior risco cardiovascular.

Entretanto, observar apenas triglicerídeos e HDL pode levar a uma avaliação incompleta. Colesterol LDL, pressão arterial, glicemia, histórico familiar e outros indicadores também precisam ser considerados.

Evidências científicas acumuladas em estudos genéticos, clínicos e epidemiológicos estabelecem o LDL como fator causal da doença cardiovascular aterosclerótica. Consenso publicado no European Heart Journal

Massa muscular e atividade física protegem o organismo

A publicação também acerta ao destacar a importância da massa muscular. Os músculos utilizam glicose como fonte de energia e contribuem para a sensibilidade à insulina e o controle metabólico.

A prática regular de exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular ajuda a controlar a pressão, a glicemia, o peso corporal e os níveis de gordura no sangue. Também contribui para preservar a autonomia durante o envelhecimento.

O sedentarismo, ao contrário, está relacionado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas.

Estresse e inflamação não podem ser ignorados

O estresse crônico pode prejudicar o sono, elevar a pressão arterial, alterar o comportamento alimentar e dificultar o controle da glicose. A inflamação persistente também participa do processo de formação e instabilidade das placas nas artérias.

Ainda assim, expressões como “inflamação silenciosa” devem ser usadas com cautela. Não existe um exame isolado ou uma dieta milagrosa capaz de explicar ou solucionar todos os riscos cardiovasculares.

Não existe um único inimigo

Na prática, açúcar e gordura saturada não precisam disputar o posto de maior vilão. Ambos podem aumentar o risco quando consumidos em excesso, especialmente dentro de uma rotina marcada por ultraprocessados, sedentarismo, tabagismo, sono inadequado e falta de acompanhamento médico.

Para proteger o coração, a orientação baseada em evidências é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, consumir verduras, legumes, frutas, feijões e cereais integrais, preferir fontes de gordura insaturada, limitar açúcar, ultraprocessados e gordura saturada, praticar exercícios e acompanhar pressão, glicemia e colesterol.

Dietas restritivas ou mudanças radicais não devem ser iniciadas apenas com base em publicações de redes sociais. Pessoas com colesterol elevado, diabetes, hipertensão ou histórico de infarto precisam de avaliação individualizada com médico e nutricionista.

Fontes: Organização Mundial da Saúde, diretriz da OMS sobre gorduras, American Heart Association e European Atherosclerosis Society.

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