Marcelinho cursa o 7º ano, acumula mais de 150 medalhas em olimpíadas científicas e surpreendeu na primeira participação em um vestibular
Aos 10 anos, Marcelo Gomes Viana Lopes já tem uma conquista incomum para comemorar: o terceiro lugar no vestibular de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor), no Ceará. Conhecido como Marcelinho, o estudante baiano ainda cursa o 7º ano do ensino fundamental, mas demonstrou conhecimento suficiente para alcançar uma das primeiras posições na seleção universitária.
O resultado foi divulgado em 2 de outubro e ganhou repercussão nacional. Apesar da aprovação, ele ainda não poderá iniciar a graduação, pois precisa concluir o ensino médio, etapa exigida para o ingresso no ensino superior.
A conquista se soma a uma trajetória de destaque nos estudos. Marcelinho acumula mais de 150 medalhas em olimpíadas científicas e tem um objetivo que vai além da universidade: tornar-se astronauta.
Primeiro vestibular e inspiração dentro de casa
Essa foi a primeira vez que Marcelinho participou de um vestibular. A escolha pela Engenharia Mecânica tem uma referência próxima: o pai, formado na área e que trabalha como perito criminal.
Nas redes sociais, o menino dedicou a aprovação ao pai e destacou a paixão que os dois compartilham pelas ciências exatas. Para ele, a experiência representou uma oportunidade de colocar os conhecimentos à prova e se aproximar da profissão que admira.
No dia 12 de outubro, Dia das Crianças, Marcelinho publicou um vídeo agradecendo as mensagens recebidas e incentivando outros estudantes a acreditar nos próprios objetivos.
“Nunca é cedo demais para realizar seus sonhos”, afirmou.
Da Bahia ao Ceará para continuar os estudos
Marcelinho vivia com a família em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Em 2024, conquistou uma bolsa integral no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, e os pais se mudaram para a capital cearense para apoiar sua formação.
O interesse pelo conhecimento também aparece fora da sala de aula. O estudante participa de iniciativas de divulgação científica e compartilha conteúdos educativos nas redes sociais.
No perfil Marcelinho Ensina, matemática, física e química fazem parte dos assuntos apresentados ao público. O menino também é identificado nas reportagens sobre sua trajetória como embaixador mirim do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Habilidades reconhecidas desde pequeno
A trajetória de Marcelinho já despertava atenção antes do vestibular. Em abril de 2023, quando tinha seis anos, uma reportagem registrou que ele havia obtido 138 pontos em uma avaliação de quociente de inteligência, o QI, pela Escala Wechsler.
Desde então, a participação em competições do conhecimento e o interesse pelas ciências passaram a compor uma história marcada por desafios acadêmicos precoces. Agora, a classificação em Engenharia Mecânica acrescenta uma nova conquista a esse percurso.
Por que ele ainda não pode entrar na faculdade?
A aprovação no vestibular, por si só, não permite a matrícula em uma graduação.
O artigo 44, inciso II, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que os cursos de graduação são abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e sido classificados em processo seletivo.
Como Marcelinho ainda está no ensino fundamental, falta cumprir a etapa de escolaridade exigida. Assim, o resultado representa uma conquista acadêmica, mas não o início imediato da vida universitária.
Enquanto continua os estudos na educação básica, o menino mantém o interesse pela engenharia e pelo espaço. O sonho de ser astronauta segue como parte dos planos de quem, aos 10 anos, já encontrou na ciência uma fonte de curiosidade e motivação.





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