redacao@onlinems.com.br

..::data e hora::.. 00:00:00

O samba perde uma voz e um piano inconfundíveis: Benito di Paula morre aos 84 anos

por admin | out 20, 2026 | Geral

Cantor e compositor morreu aos 84 anos, em São Paulo; com clássicos como “Retalhos de Cetim”, construiu uma identidade musical que atravessou gerações

O samba brasileiro perdeu um de seus intérpretes mais singulares. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu no domingo, 18 de outubro, aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava um câncer de próstata havia aproximadamente um ano. A morte foi confirmada pela assessoria do artista.

Benito deixa uma contribuição que pode ser reconhecida nos primeiros acordes: a força do samba conduzida pelo piano, acompanhada de uma voz marcante e de interpretações carregadas de sentimento. Ao unir balanço, romantismo e personalidade, tornou-se uma referência da música popular brasileira.

O piano como assinatura

Benito ajudou a popularizar uma maneira própria de apresentar o samba. Em suas mãos, o piano marcava o ritmo, sustentava a melodia e dialogava com o canto. Essa combinação, que também incorporava influências do jazz e do bolero, deu ao artista uma assinatura reconhecível.

Sua importância pode ser compreendida nessa capacidade de transformar uma escolha musical em identidade: bastavam o instrumento, a voz e o balanço para o público reconhecer quem estava tocando.

O estilo ficou associado ao chamado “samba-joia”, que aproximava o gênero de arranjos românticos e alcançou grande popularidade. Benito se consolidou como um dos principais representantes dessa vertente ao longo de uma trajetória de mais de cinco décadas.

De Nova Friburgo ao reconhecimento nacional

Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, Uday Vellozo encontrou na música o caminho que o tornaria conhecido como Benito di Paula.

Ainda jovem, mudou-se para Santos, no litoral paulista, onde se apresentou em casas noturnas. A experiência nesses palcos antecedeu a projeção nacional que alcançaria especialmente nas décadas de 1970 e 1980.

Foi nesse período que seu encontro entre samba, piano e romantismo conquistou espaço na música brasileira, levando seu repertório a públicos de diferentes gerações.

Canções que ficaram na memória do país

“Retalhos de Cetim”, de 1973, tornou-se um dos grandes marcos da carreira. A ela se somaram sucessos como “Charlie Brown”, “Se Não For Amor”, “Mulher Brasileira”, “Violão Não Se Empresta a Ninguém” e “Vai Ficar na Saudade”.

Seu repertório continuou encontrando novas vozes. “Do Jeito que a Vida Quer”, por exemplo, ganhou destaque na interpretação de Xande de Pilares, demonstrando a permanência de suas composições entre artistas de outras gerações.

Reconhecimento em vida

No Carnaval de São Paulo de 2025, Benito recebeu uma homenagem da Águia de Ouro, que levou sua história para o Anhembi com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito que a Vida Quer”. O músico participou do desfile ao lado do filho, Rodrigo Vellozo.

A ligação com os palcos também permaneceu. Em julho de 2026, participou do espetáculo “Benito 85”, criado pelo filho para celebrar o aniversário que completaria em novembro.

Despedida aberta aos fãs

O velório será realizado na terça-feira, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, com acesso aberto ao público. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, em cerimônia reservada à família.

Benito deixa o legado de um artista que fez da própria maneira de tocar uma forma de expressão. Seu piano permanece como uma das imagens mais fortes de sua trajetória: o instrumento diante do músico, o samba nas teclas e a emoção compartilhada com o público.

0 Comentários

Enviar um Comentário

Últimas Notícias