Projeção do Inca para 2026 a 2028 supera em 5 mil casos anuais a estimativa anterior e reforça a importância do diagnóstico precoce
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O número corresponde a um risco estimado de 71,57 casos novos para cada 100 mil mulheres.
Na projeção anterior, referente ao período de 2023 a 2025, eram esperados 73.610 casos anuais. A diferença é de 5 mil casos por ano, aproximadamente 6,8% a mais entre as duas estimativas. Esses números são projeções e não representam uma contagem de diagnósticos já confirmados.
Em meio à mobilização do Outubro Rosa, os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, à investigação de alterações suspeitas e ao tratamento.
Por que as estimativas aumentaram?
Segundo o oncologista Ângelo Bezerra, dois fatores ajudam a compreender o cenário: o crescimento da incidência e os avanços que permitem identificar a doença com maior precisão.
A ampliação do acesso aos exames também contribui para que tumores sejam encontrados, inclusive antes de provocarem alterações perceptíveis. Isso reforça a importância de diferenciar o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas, da investigação de uma mudança já identificada na mama.
A comparação entre as projeções, entretanto, não permite determinar quanto da diferença corresponde a cada um desses fatores.
Quais mudanças merecem atenção?
Nódulos nas mamas ou nas axilas, alterações na pele e saída espontânea de líquido pelo mamilo precisam de avaliação. Vermelhidão, retrações e aspecto semelhante à casca de laranja também são sinais de alerta.
Essas alterações não confirmam câncer por si só, mas precisam ser investigadas. Ao perceber uma mudança, a mulher deve procurar atendimento, mesmo que tenha realizado exames recentemente.
Mamografia: entenda a orientação do SUS
A recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional é realizar mamografia a cada dois anos entre os 50 e os 74 anos.
Mulheres de 40 a 49 anos também podem acessar a mamografia de rastreamento no SUS por demanda, após orientação sobre os possíveis benefícios e riscos. A decisão deve ser compartilhada com o profissional de saúde. Essa possibilidade também se aplica às mulheres acima dos 74 anos.
Quando há histórico familiar relevante ou outros fatores de risco, a necessidade de acompanhamento específico deve ser avaliada individualmente.
Já a presença de um sintoma exige investigação independentemente da faixa etária prevista para o rastreamento. Não é necessário esperar a idade do exame de rotina para procurar atendimento.
Hábitos ajudam a reduzir o risco
Praticar atividade física, manter o peso adequado e evitar bebidas alcoólicas são medidas que contribuem para reduzir o risco. A amamentação também oferece proteção, quando possível e respeitando as condições de cada mulher.
O uso de reposição hormonal exige avaliação individual. Nenhuma dessas medidas elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença.
Conhecer o próprio corpo faz diferença
O câncer de mama reúne tumores com diferentes características e velocidades de evolução. Reconhecer mudanças no corpo e manter o acompanhamento indicado são atitudes complementares.
A palpação não substitui a mamografia. A ausência de um caroço perceptível também não dispensa os exames recomendados.
Diante de uma alteração, o primeiro passo pode ser buscar uma Unidade Básica de Saúde, onde a equipe poderá avaliar a situação e encaminhar a investigação necessária.





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