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Prometiam controlar o açúcar no sangue: Anvisa suspende propaganda de dois suplementos

por admin | out 30, 2026 | Geral

Produtos Glifit e Glicofit eram anunciados na internet com promessas de benefícios à saúde não aprovadas pela agência reguladora. Medida busca proteger consumidores contra informações enganosas, especialmente pessoas com diabetes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da propaganda dos suplementos alimentares em gotas Glifit e Glicofit, fabricados pela empresa Vita Nutriom Saúde & Bem Estar Ltda. A medida foi formalizada pela Resolução-RE nº 4.224, de 26 de outubro de 2026, após a identificação de alegações terapêuticas e benefícios à saúde que não possuem aprovação da autoridade sanitária.

Segundo a Anvisa, os produtos eram divulgados na internet com promessas relacionadas ao controle da glicose no sangue, à melhora da sensibilidade à insulina e ao funcionamento do pâncreas. As afirmações foram consideradas irregulares e enganosas.

A decisão chama atenção para um problema recorrente no mercado de suplementos alimentares: a utilização de estratégias publicitárias que atribuem a esses produtos efeitos semelhantes aos de medicamentos, sem a comprovação e a autorização exigidas pela legislação.

Promessas de controle da glicose estão entre as irregularidades

Entre as expressões identificadas pela fiscalização sanitária estavam:

  • “O autêntico regulador de glicose”;
  • “Controle rápido dos níveis de açúcar no sangue”;
  • “Melhora a sensibilidade à insulina”;
  • “Mantém o pâncreas limpo e funcional”;
  • “Eliminando os picos de glicose”.

De acordo com a agência, essas mensagens podem induzir o consumidor a acreditar que os suplementos são capazes de prevenir, controlar ou tratar alterações metabólicas, incluindo condições relacionadas ao diabetes.

O problema é particularmente preocupante porque pessoas diagnosticadas com diabetes precisam de acompanhamento médico e, em muitos casos, de medicamentos específicos para manter os níveis de glicose adequados.

A utilização de suplementos com promessas terapêuticas não comprovadas pode gerar uma falsa sensação de segurança e levar ao abandono ou à substituição de tratamentos eficazes.

Suplemento alimentar não é medicamento

A Anvisa reforça que suplementos alimentares são produtos destinados a complementar a alimentação de pessoas saudáveis, fornecendo nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos, conforme as regras aplicáveis.

Eles não podem ser anunciados como medicamentos nem apresentar promessas de cura, prevenção ou tratamento de doenças.

No Brasil, as alegações funcionais e de saúde permitidas para suplementos precisam atender aos critérios estabelecidos pela regulamentação sanitária.

Isso significa que expressões utilizadas em propagandas, embalagens, sites e redes sociais devem respeitar as alegações autorizadas para os ingredientes e produtos correspondentes.

A simples presença de vitaminas, minerais ou extratos vegetais na composição não autoriza o fabricante a afirmar que determinado suplemento controla a glicemia ou melhora o funcionamento de órgãos.

Anvisa alerta para outras promessas proibidas

O comunicado da agência também destaca restrições à publicidade de suplementos que prometem resultados terapêuticos ou benefícios não autorizados.

Entre os exemplos mencionados estão alegações relacionadas a emagrecimento, aumento do foco e da concentração, fortalecimento da imunidade, melhora do desempenho sexual e alívio de sintomas da tensão pré-menstrual ou da menopausa.

A agência também alerta para anúncios que apresentam suplementos como alternativas para tratar doenças graves, como Alzheimer, Parkinson, câncer e fibromialgia, além de condições como o transtorno do espectro autista.

Essas alegações não podem ser utilizadas livremente na publicidade de suplementos alimentares.

Publicidade enganosa pode configurar crime

Além de representar uma infração sanitária, a divulgação de informações enganosas pode ter consequências jurídicas para os responsáveis.

Em comunicado, a Anvisa destacou:

“Quem faz publicidade enganosa comete infração sanitária e pratica crime previsto no Código de Defesa do Consumidor.”

O Código de Defesa do Consumidor proíbe publicidade enganosa ou abusiva e prevê responsabilização em determinadas situações.

A fiscalização sanitária busca impedir que consumidores sejam levados a adquirir produtos com base em promessas que não possuem respaldo regulatório.

O que muda para quem já comprou os produtos?

A medida divulgada pela Anvisa trata especificamente da suspensão da propaganda irregular de Glifit e Glicofit.

Isso é importante porque a suspensão da publicidade não deve ser confundida automaticamente com uma determinação de recolhimento dos produtos ou com a comprovação de que sua composição seja prejudicial à saúde.

Consumidores que adquiriram os suplementos devem evitar utilizá-los como substitutos de medicamentos prescritos e procurar orientação de um profissional de saúde, especialmente se possuem diabetes ou fazem tratamento para alterações glicêmicas.

Também é recomendável desconfiar de anúncios que prometem resultados rápidos, cura de doenças ou benefícios extraordinários sem apresentar informações científicas verificáveis.

Como identificar propagandas suspeitas

A Anvisa orienta os consumidores a observar atentamente as informações presentes em anúncios e embalagens.

Promessas de resultados imediatos, depoimentos apresentados como prova de eficácia, supostas fórmulas milagrosas e afirmações de que um produto substitui tratamentos médicos são sinais de alerta.

Outra medida importante é consultar os canais oficiais da agência para verificar a regularidade de produtos e eventuais determinações sanitárias.

A suspensão das propagandas de Glifit e Glicofit reforça que suplementos alimentares não podem ser comercializados com promessas terapêuticas sem autorização. A informação correta continua sendo uma das principais ferramentas de proteção à saúde e aos direitos do consumidor.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Resolução-RE nº 4.224/2026, e Agência Brasil.

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