Evento em Campo Grande reunirá cerca de 200 participantes para apresentar soluções inovadoras no combate a pragas, redução de custos e aumento da renda dos agricultores familiares.
A produção de mandioca em Mato Grosso do Sul ganha destaque nesta quinta-feira (29), com a realização do III Dia de Campo da Mandioca, em Campo Grande. O evento apresentará tecnologias agrícolas, novas práticas de manejo e soluções para aumentar a produtividade, reduzir custos e fortalecer a renda dos produtores rurais.
Promovido pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o encontro será realizado das 7h30 às 12h30, na sede do Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer).
A expectativa é reunir aproximadamente 200 participantes, entre agricultores familiares, pesquisadores, técnicos agrícolas, estudantes e representantes do setor produtivo.
O principal objetivo é aproximar a pesquisa científica da realidade dos pequenos produtores, demonstrando como a inovação pode contribuir para lavouras mais eficientes, competitivas e economicamente sustentáveis.
Mandioca movimenta mais de R$ 871 milhões em Mato Grosso do Sul
A importância da cultura para a economia sul-mato-grossense é demonstrada pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo os dados apresentados pela organização do evento, em 2025 Mato Grosso do Sul registrou uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de mandioca, movimentando mais de R$ 871,5 milhões em valor de produção.
Valor da produção em 2025
R$ 871,6 mi
Quantidade produzida
1,51 mi t
Área colhida
62.546 ha
Produtividade média
24 t/ha
Dados do IBGE informados pela organização. O levantamento de estabelecimentos produtores refere-se a 2017.
O Estado contabilizava 12.329 estabelecimentos produtores no levantamento de 2017, demonstrando a capilaridade da atividade no meio rural.
O município de Itaquiraí aparece como o maior produtor estadual, enquanto outras regiões também contribuem para o abastecimento e a movimentação econômica da cadeia produtiva.
Além de sua relevância econômica, a mandioca ocupa lugar de destaque na alimentação regional, sendo um dos acompanhamentos mais tradicionais do churrasco sul-mato-grossense.
Drones agrícolas podem reduzir custos e modernizar o combate às pragas
Entre os principais destaques da programação está a utilização de drones agrícolas no controle de pragas que comprometem o desenvolvimento das plantações.
A tecnologia permite realizar aplicações direcionadas e pode representar uma alternativa aos métodos convencionais, especialmente para pequenos agricultores que não possuem recursos para adquirir tratores e pulverizadores.
A terceira estação técnica será dedicada ao tema “Controle de pragas da mandioca com o uso de drones”, sob responsabilidade dos engenheiros agrônomos Douglas Pellin, da Agraer, e Tiago Marques, da Agrodrones.
Segundo o pesquisador Eduardo Aguiar, coordenador técnico do evento, a contratação de serviços especializados permite que agricultores familiares tenham acesso a equipamentos modernos sem precisar realizar investimentos elevados.
A viabilidade econômica depende de fatores como tamanho da área, preço do serviço, condições da lavoura e necessidade de aplicação.
A utilização de drones também exige observância das normas aplicáveis à operação e ao uso de defensivos agrícolas.
Controle de plantas daninhas será outro destaque
Outro desafio enfrentado pelos produtores é a presença de plantas daninhas, que competem com a mandioca por água, luz e nutrientes.
Quando não são controladas adequadamente, essas plantas podem comprometer o desenvolvimento das raízes e reduzir a produtividade da lavoura.
A quarta estação técnica abordará o “Controle do mato na cultura da mandioca”, com apresentação do engenheiro agrônomo André Makio Kusano, do Senar.
O especialista discutirá estratégias de manejo integrado, combinando diferentes métodos para controlar a vegetação indesejada de maneira eficiente.
A proposta é orientar os produtores sobre alternativas que considerem as características de cada propriedade, evitando gastos desnecessários e favorecendo a sustentabilidade da atividade.
O evento terá quatro estações práticas, embora os temas específicos das duas primeiras não tenham sido detalhados nas informações divulgadas.
Centro de pesquisa avalia 14 variedades de mandioca
O Cepaer também desenvolve pesquisas voltadas à adaptação de diferentes variedades de mandioca às condições de solo e clima de Mato Grosso do Sul.
Atualmente, o centro mantém avaliações anuais de 14 variedades, que são cultivadas e colhidas para análise de características produtivas e agronômicas.
De acordo com Eduardo Aguiar, a mandioca apresenta elevada interação com o ambiente, o que significa que uma variedade pode ter desempenho diferente conforme as condições de cultivo.
Por isso, a recomendação técnica é que os agricultores trabalhem, geralmente, com pelo menos três variedades, diversificando a produção e reduzindo riscos.
O Dia de Campo permitirá que os participantes conheçam as características dessas plantas e obtenham informações para selecionar as opções mais adequadas às propriedades.
Pesquisa e inovação fortalecem a agricultura familiar
Desde a primeira edição, realizada em 2023, o Dia de Campo da Mandioca vem abordando dificuldades que afetam a produtividade dos agricultores sul-mato-grossenses.
Nos encontros anteriores, foram discutidos temas como épocas de plantio, qualidade culinária, correção da acidez do solo com calcário, adubação, escolha de variedades e controle da mosca-branca, apontada pelos pesquisadores como a principal praga dos mandiocais da região.
Para Eduardo Aguiar, o evento representa a continuidade de um trabalho voltado ao desenvolvimento da cadeia produtiva.
“É um trabalho contínuo para avançar em produtividade, diversificação e renda para os nossos agricultores familiares”, destaca.
A programação também mobiliza caravanas de municípios como Sidrolândia, Terenos, Jaraguari, Nova Alvorada do Sul, Dois Irmãos do Buriti, São Gabriel do Oeste e Ribas do Rio Pardo.
A participação regional reforça a importância da troca de conhecimentos entre pesquisadores, extensionistas e produtores.
Tecnologia acessível pode transformar a produção rural
A modernização da agricultura não está restrita às grandes propriedades. Com o avanço da prestação de serviços especializados e da assistência técnica, produtores familiares também podem incorporar soluções tecnológicas às atividades diárias.
O uso de drones, a escolha adequada de variedades e o manejo eficiente de pragas e plantas daninhas são exemplos de estratégias que podem contribuir para melhorar os resultados econômicos das lavouras.
Para Mato Grosso do Sul, onde a mandioca possui relevância cultural e econômica, o fortalecimento da pesquisa e da extensão rural representa uma oportunidade de ampliar a competitividade da produção e valorizar o trabalho dos agricultores.
O III Dia de Campo da Mandioca pretende demonstrar, na prática, como o conhecimento técnico pode chegar às propriedades e se transformar em produtividade, economia e renda.
Informações – III Dia de Campo da Mandioca
Data: quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Horário: das 7h30 às 12h30
Local: Cepaer – Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer
Rodovia MS-080, saída para Rochedo, ao lado da UEMS e do Detran, em Campo Grande (MS).
Público esperado: aproximadamente 200 participantes
Realização: Agraer e Semadesc, em parceria com o Senar





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