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Relato de professora rompe silêncio de 30 anos e leva à prisão de suspeito investigado por violência contra mulheres

por admin | ago 10, 2026 | Geral

Preso preventivamente em Santa Catarina, Vinicius Roig é investigado por suspeita de estupro; mobilização nas redes sociais reuniu depoimentos de dezenas de possíveis vítimas no Rio Grande do Sul

Um relato publicado nas redes sociais desencadeou uma mobilização que atravessou diferentes cidades, recuperou denúncias de três décadas e terminou na prisão preventiva do tatuador, corretor de imóveis e músico Vinicius Roig da Silva, de 47 anos.

Morador de Torres, no litoral do Rio Grande do Sul, Roig foi preso no dia 30 de julho de 2026 em um apartamento alugado por aplicativo em Balneário Camboriú, Santa Catarina. O mandado foi expedido no âmbito de uma investigação da Polícia Civil por suspeita de estupro contra uma ex-companheira.

A prisão é cautelar e não representa condenação. Os fatos ainda estão sendo investigados, e os processos relacionados ao caso tramitam sob segredo de Justiça.

Professora tornou agressões públicas

A mobilização começou depois que a professora Michele Duarte, de 48 anos, decidiu publicar nas redes sociais as agressões que afirma ter sofrido durante o relacionamento com Roig.

Michele relatou episódios de violência física, psicológica e sexual. Segundo a professora, o relacionamento foi marcado por ciúmes, controle sobre suas conversas, isolamento de familiares e restrições à sua liberdade.

Ela afirmou que foi vítima de chutes, estrangulamento, mordidas e relações sexuais impostas pelo medo.

“Fazia sexo para não apanhar”, declarou Michele em entrevista à imprensa gaúcha.

Em outro relato, a professora afirmou que Roig teria mordido sua língua até quase arrancá-la. As declarações fazem parte dos depoimentos das possíveis vítimas e deverão ser verificadas individualmente durante as investigações.

Apoio veio da irmã do investigado

Depois da publicação, Michele recebeu uma mensagem de apoio de Juliana Roig, de 50 anos. Durante a conversa, Juliana descobriu que o homem citado era seu próprio irmão.

A partir daquele momento, ela decidiu apoiar publicamente Michele e ajudar a reunir depoimentos de outras mulheres. Juliana passou a divulgar os relatos por meio de uma página nas redes sociais chamada “Verdade Seja Dita”.

A iniciativa rapidamente recebeu manifestações de mulheres que disseram ter vivido situações semelhantes. Os depoimentos descrevem um suposto padrão envolvendo controle, humilhações, perseguições, ameaças e violências física e sexual.

Relato remonta a 1995

Entre as mulheres que se manifestaram está Deise Santos. Ela contou que tinha 14 anos quando começou a se relacionar com Roig, em 1995, em Novo Hamburgo.

Segundo Deise, o relacionamento começou de forma carinhosa, mas evoluiu para comportamentos de controle. A mulher afirma que não podia olhar para outras pessoas, assistir à televisão ou ouvir rádio sem ser questionada.

Deise também relatou que teria sido obrigada a elaborar anotações sobre as pessoas com quem conversava durante o recreio escolar. Segundo ela, Roig teria gravado uma relação sexual e utilizado o conteúdo para ameaçá-la.

O relacionamento terminou depois que a adolescente conseguiu pedir ajuda à mãe.

Ocorrências, inquéritos e possíveis vítimas

Os números divulgados pelas autoridades variam porque representam diferentes etapas da apuração.

Segundo o delegado Marcos Veloso, da Polícia Civil de Torres, Roig já havia sido indiciado em 11 inquéritos envolvendo registros de três vítimas de violência doméstica no município.

Outro levantamento identificou 19 ocorrências policiais nos últimos dois anos, registradas em Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou ter identificado mais de 20 possíveis vítimas a partir dos depoimentos recebidos. Nem todos os relatos, entretanto, foram formalizados em delegacias.

As autoridades reforçam a importância de que as mulheres compareçam às unidades policiais para registrar ocorrência e prestar depoimento. Cada caso precisa ser investigado separadamente, considerando o local, a data e as circunstâncias dos fatos narrados.

Ministério Público apresentou três denúncias

Antes da repercussão nas redes sociais, o Ministério Público do Rio Grande do Sul já havia apresentado três denúncias criminais contra Roig por fatos ocorridos em Torres e Sapucaia do Sul.

As denúncias envolvem crimes de ameaça, perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas. A investigação por suspeita de estupro que motivou a prisão preventiva é independente desses processos anteriores.

A promotora Carla Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas do MPRS, afirmou que nunca havia se deparado com um caso envolvendo tantos relatos, diferentes vítimas e fatos registrados em diversas cidades.

Uma das mulheres já foi atendida pela Central de Atendimento às Vítimas, que oferece acolhimento, orientação jurídica e apoio psicológico.

Antecedente por violência doméstica

Reportagem da imprensa gaúcha também revelou que Roig foi condenado em 2017 por lesão corporal e ameaça em contexto de violência doméstica. A pena aplicada foi de sete meses em regime aberto.

Essa condenação anterior não deve ser confundida com os fatos investigados atualmente.

O que diz a defesa

Antes de ser preso, Vinicius Roig afirmou que havia procurado voluntariamente a Polícia Civil e que estava à disposição das autoridades.

Em nota, a defesa declarou repudiar qualquer forma de violência contra a mulher e pediu respeito ao princípio constitucional da presunção de inocência. Os advogados sustentaram que as acusações deverão ser apuradas de maneira imparcial e dentro do devido processo legal.

Roig não apresentou publicamente uma resposta detalhada para cada relato. A defesa afirmou que os fatos serão esclarecidos perante a Justiça.

Prisão não significa condenação

A prisão preventiva é uma medida cautelar adotada durante a investigação ou o processo. Ela pode ser determinada, entre outras hipóteses, para proteger as vítimas, preservar a produção das provas ou impedir novos crimes.

Roig deve ser considerado inocente até eventual condenação definitiva. A Polícia Civil continua coletando depoimentos, documentos, perícias e outras provas.

Onde procurar ajuda

Mulheres em situação de violência podem entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia.

Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Fontes: GZHJornal da Band, Polícia Civil e Ministério Público do Rio Grande do Sul.

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