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10 mil pacientes na fila e aparelho parado: vereador denuncia colapso da endoscopia em Campo Grande

por admin | ago 14, 2026 | Geral

Maicon Nogueira afirma que equipamento não é utilizado há aproximadamente um ano e meio por falta de endoscopista e anuncia que levará o caso ao Ministério Público

Mais de 10 mil pacientes estariam aguardando a realização de exames de endoscopia pela rede pública de saúde de Campo Grande. Ao mesmo tempo, um equipamento disponível no Centro de Especialidades Médicas (CEM) permaneceria sem utilização há aproximadamente um ano e meio por falta de profissional habilitado.

A denúncia foi feita pelo vereador Maicon Nogueira, que cobra da Secretaria Municipal de Saúde uma solução para a fila. Segundo o parlamentar, o município dispõe do aparelho, mas não teria conseguido contratar o médico endoscopista necessário para colocar o serviço em funcionamento.

“Temos o equipamento, mas não temos o profissional. São mais de 10 mil pessoas esperando por um exame de endoscopia e um aparelho parado há cerca de um ano e meio porque a Prefeitura não consegue contratar um endoscopista”, declarou.

Cobranças feitas há meses

Maicon afirma que já discutiu pessoalmente o problema com o secretário municipal de Saúde e encaminhou requerimentos cobrando informações e providências. Apesar das iniciativas, segundo ele, os atendimentos ainda não foram retomados no equipamento instalado no CEM.

O vereador também pede esclarecimentos sobre a falta de anestesistas e sobre a estruturação da equipe necessária para realizar os procedimentos com segurança. Dependendo do caso e do protocolo adotado, o exame pode exigir sedação e acompanhamento de profissionais capacitados.

Outra questão levantada é a possibilidade de contratação temporária de uma empresa especializada para atender à demanda reprimida enquanto o município busca uma solução definitiva para o serviço público.

“Não faz sentido ter um equipamento disponível e deixar de atender milhares de pessoas por falta do profissional. Precisamos saber por que a Prefeitura não consegue contratar um endoscopista e qual é a solução definitiva para essa fila”, cobrou Maicon.

Demora pode prejudicar diagnósticos

A endoscopia digestiva alta permite examinar esôfago, estômago e duodeno, além de possibilitar a coleta de material para biópsia. O procedimento pode ser indicado na investigação de sintomas como dor persistente, dificuldade para engolir, sangramento gastrointestinal, anemia, refluxo resistente ao tratamento e perda de peso sem explicação.

O manual de diagnóstico precoce em oncologia do Ministério da Saúde inclui a endoscopia com biópsia entre os exames utilizados diante de suspeitas de câncer no esôfago, na transição esofagogástrica ou no estômago. O documento ainda orienta que a solicitação do exame não deve atrasar o acesso do paciente ao especialista quando o tempo de espera for excessivo. Ministério da Saúde

Para Maicon, a paralisação não representa apenas um problema administrativo, mas pode comprometer o diagnóstico precoce e aumentar a complexidade dos tratamentos.

“Quando uma pessoa não consegue fazer o diagnóstico precoce de um tumor ou de um câncer, as consequências podem ser muito maiores. Estamos falando primeiro da vida e da qualidade de vida desse paciente e, depois, do próprio custo para o município”, argumentou.

Caso será levado ao Ministério Público

Diante da falta de solução, o vereador anunciou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público, solicitando providências para a retomada dos exames e a redução da fila.

“Já conversei pessoalmente com o secretário de Saúde, já encaminhei requerimentos e estamos falando de um problema que se arrasta há meses. Agora vou buscar o Ministério Público para pedir uma providência”, afirmou.

O parlamentar defende que a prioridade seja colocar imediatamente em funcionamento a estrutura existente e garantir profissionais suficientes para ampliar a capacidade de atendimento.

“Por trás de cada número existe alguém que precisa desse exame para descobrir o que tem e iniciar um tratamento, se necessário. Não podemos normalizar um equipamento parado enquanto milhares de pacientes aguardam”, finalizou.

As informações sobre o número de pacientes, o período de paralisação e a falta de profissionais foram apresentadas pelo vereador. O material encaminhado ao DNA67 News não contém manifestação da Prefeitura de Campo Grande ou da Secretaria Municipal de Saúde. O espaço permanece aberto para esclarecimentos sobre a fila, o funcionamento do equipamento e as medidas previstas.

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