Rick Brackins conheceu o esporte perto dos 70 anos e transformou a atividade em uma maneira de preservar a disposição, a saúde e o convívio familiar
Quando Rick Brackins observou um grupo de pessoas praticando kitesurf em uma praia de Cabarete, na República Dominicana, poderia ter apenas acompanhado a movimentação e seguido viagem. Em vez disso, decidiu experimentar. Era 2006, e o norte-americano já tinha aproximadamente 68 anos.
Quase duas décadas depois, aquela decisão levou Rick ao Guinness World Records. Ele foi oficialmente reconhecido como o homem mais velho do mundo a praticar kitesurf.
O recorde foi verificado em Cabarete no dia 20 de agosto de 2025, quando Rick tinha exatamente 87 anos e 20 dias. Nascido em 7 de julho de 1938, ele já acumulava cerca de 18 anos de experiência no esporte quando teve a marca homologada.
A história ganhou repercussão internacional após ser divulgada pelo Guinness em janeiro de 2026, mostrando que iniciar uma nova atividade na terceira idade não precisa ser tratado como uma exceção ou um gesto meramente simbólico.
Esporte como parte da rotina
Rick não adotou o kitesurf apenas como uma experiência ocasional. A atividade passou a fazer parte de sua rotina e se tornou uma maneira divertida de permanecer fisicamente ativo.
O kitesurf combina uma prancha com uma pipa controlada pelo atleta. Impulsionado pelo vento, o praticante desliza sobre a água e pode realizar mudanças de direção, saltos e diferentes manobras.
É uma modalidade que exige equilíbrio, coordenação, força, atenção às condições climáticas e domínio dos equipamentos de segurança. Para iniciantes, especialmente pessoas mais velhas, o acompanhamento profissional e a avaliação das condições físicas são fundamentais.
Antes de se dedicar à modalidade, Rick trabalhou no setor imobiliário comercial. Atualmente, é proprietário de um bar e restaurante em Tampa, na Flórida. Além do kitesurf, ele também pratica mergulho e pesca submarina.
Três gerações sobre a água
A relação de Rick com o esporte também se tornou uma experiência familiar. Ele já foi fotografado praticando kitesurf ao lado do filho Kenneth e da neta Kinley, filha de Kenneth.
A imagem reúne três gerações da mesma família sobre a água. Segundo o Guinness, os Brackins afirmam não conhecer outro caso semelhante. No entanto, a participação conjunta não foi homologada como um recorde mundial independente.
Kenneth relata que muitas pessoas ficam surpresas ao ver o pai praticando a modalidade. De acordo com ele, alguns frequentadores da praia passaram a considerar a possibilidade de fazer aulas depois de perceberem que a idade não precisa representar, por si só, uma barreira definitiva.
Rick tem três filhos, quatro netos e quatro bisnetos.
Marca supera recorde feminino em quase uma década
O Guinness mantém categorias separadas para homens e mulheres no kitesurf. O recorde feminino pertence à norte-americana Susan Frieder, que tinha 77 anos e 188 dias quando sua marca foi verificada em Kahului, no Havaí, em 28 de julho de 2021.
Rick superou a idade registrada por Susan em aproximadamente nove anos e meio. A entidade apresenta editorialmente a diferença como uma década.
A comparação, entretanto, não deve ser confundida com o surfe tradicional. O recorde masculino de pessoa mais velha a surfar pertence ao japonês Seiichi Sano, que alcançou a marca aos 88 anos e 288 dias.
Envelhecimento ativo, mas com responsabilidade
A trajetória de Rick chama atenção em um cenário mundial de envelhecimento da população. A Organização Mundial da Saúde defende que a atividade física regular entre idosos pode contribuir para a preservação da capacidade funcional, do equilíbrio, da mobilidade e da autonomia.
Isso não significa que todas as pessoas devam praticar esportes de alta exigência ou tentar reproduzir o desempenho de Rick. Condições de saúde, histórico clínico, preparo físico e limitações individuais precisam ser respeitados.
Modalidades aquáticas e esportes impulsionados pelo vento também envolvem riscos específicos. Avaliação médica, aulas com profissionais qualificados, equipamentos adequados e respeito às condições do mar e do clima são indispensáveis.
O maior significado do recorde talvez não esteja apenas no número registrado pelo Guinness. Rick começou perto dos 70 anos e manteve uma atividade que lhe oferece movimento, diversão e convivência familiar. Sua história mostra que envelhecer não precisa significar abandonar novos projetos — e que um recomeço pode acontecer em qualquer fase da vida.
Fontes: Guinness World Records — recorde oficial de Rick Brackins, perfil publicado pelo Guinness e recorde feminino de Susan Frieder.



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