A maioria das vítimas é adolescente; 160 pessoas foram localizadas, mas 31 casos ainda permaneciam sem desfecho no período analisado
Mato Grosso do Sul registrou 191 desaparecimentos de crianças e adolescentes entre janeiro e agosto de 2026. Os dados revelam que, em média, quase uma ocorrência envolvendo menores de idade foi registrada por dia no Estado durante o período.
As informações são do Portal Estatística Sigo, plataforma da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) que reúne registros policiais e indicadores relacionados à segurança pública.
Do total de desaparecimentos, 52 ocorreram em Campo Grande, envolvendo nove crianças e 43 adolescentes. Os outros 139 casos foram registrados nos municípios do interior do Estado.
Maioria foi localizada
Apesar do número elevado de ocorrências, os dados mostram que 160 crianças e adolescentes foram localizados, seja durante diligências policiais, seja pelos próprios familiares ou responsáveis.
Em Campo Grande, foram encontrados seis crianças e 32 adolescentes, totalizando 38 localizações. No interior, foram localizados 14 crianças e 108 adolescentes, somando 122 pessoas.
Considerando o total de registros e de localizações apresentado no levantamento, 31 crianças ou adolescentes ainda permaneciam sem registro de localização no período analisado.
É importante observar que o sistema mantém contabilizado todo desaparecimento registrado, mesmo quando a pessoa é encontrada posteriormente. Por isso, o número total de desaparecimentos não diminui conforme os casos são solucionados. As localizações aparecem em um indicador separado.
Divergência na divisão por idade
Publicações que repercutiram os dados informaram que os 191 registros envolveriam 25 crianças e 165 adolescentes. Entretanto, essa divisão soma 190 pessoas.
Já a distribuição territorial fecha o total apresentado: são 52 ocorrências na Capital e 139 no interior, chegando a 191. A diferença de uma ocorrência indica possível erro na transcrição ou classificação por faixa etária e precisa ser considerada na divulgação dos números.
Segundo o dicionário de dados do Sigo, são consideradas crianças as pessoas de zero a 11 anos. A faixa dos adolescentes compreende pessoas de 12 a 17 anos.
Não é preciso esperar 24 horas
A Polícia Civil alerta que familiares não devem esperar 24 ou 48 horas para comunicar um desaparecimento. O boletim de ocorrência deve ser registrado imediatamente, independentemente do tempo transcorrido.
As primeiras horas são consideradas fundamentais para a obtenção de informações, preservação de imagens de câmeras de segurança, localização de testemunhas e reconstrução dos últimos passos da pessoa desaparecida.
O familiar deve procurar uma delegacia e apresentar, sempre que possível:
- fotografia recente;
- descrição das roupas utilizadas;
- características físicas e sinais particulares;
- número do telefone celular;
- informações sobre medicamentos ou condições de saúde;
- locais frequentados e pessoas com quem houve contato;
- circunstâncias e horário aproximado do desaparecimento.
Também é recomendado verificar hospitais e unidades de pronto atendimento, conversar com amigos e parentes e manter uma pessoa no local onde a vítima foi vista pela última vez, pois ela poderá retornar.
O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas e as publicações nas redes sociais podem auxiliar na divulgação, mas não substituem o boletim de ocorrência, documento que desencadeia oficialmente a investigação. A orientação consta nas páginas institucionais da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Nos desaparecimentos envolvendo crianças e adolescentes, informações também podem ser repassadas ao Disque 100, serviço nacional de denúncias sobre violações de direitos humanos.
Amber Alert pode ampliar as buscas
Mato Grosso do Sul aderiu ao Amber Alert Brasil, ferramenta destinada à divulgação de desaparecimentos de crianças e adolescentes em situações consideradas de risco.
Quando o caso atende aos critérios estabelecidos pelas autoridades, imagens e informações podem ser exibidas no Facebook e no Instagram para usuários localizados em um raio de até 160 quilômetros do ponto do desaparecimento. O objetivo é alcançar rapidamente um grande número de pessoas e aumentar as chances de localização.
A utilização do recurso, porém, não ocorre automaticamente em todos os desaparecimentos. O acionamento depende da avaliação das autoridades responsáveis, especialmente em casos com indícios de sequestro ou risco iminente.
Os números reforçam um alerta essencial: diante de um desaparecimento, cada minuto importa. O registro imediato e a apresentação de informações precisas podem ser determinantes para o avanço das buscas.



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