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Sephora amplia “Compras Calmas” e aposta em lojas com menos estímulos para pessoas neurodivergentes

por admin | jul 30, 2026 | Geral

Iniciativa reduz música, estímulos visuais e outras distrações para tornar a experiência de compra mais confortável; projeto brasileiro começou em 2025 e acompanha expansão global da rede

Comprar maquiagem, experimentar um perfume ou simplesmente caminhar pelos corredores de uma loja pode parecer uma atividade cotidiana. Para algumas pessoas, porém, música, telas, iluminação, cheiros intensos e interações constantes podem transformar esse momento em uma experiência desconfortável.

É justamente essa barreira que a Sephora tenta reduzir com o programa “Compras Calmas”, iniciativa que adapta temporariamente o ambiente das lojas para oferecer períodos com menor estímulo sensorial, beneficiando especialmente pessoas neurodivergentes e consumidores sensíveis a sons, cheiros e outros estímulos.

No Brasil, o projeto começou em 17 de junho de 2025, inicialmente nas unidades do Shopping Ibirapuera, em São Paulo, Shopping da Bahia, em Salvador, e Pátio Batel, em Curitiba.

Durante os períodos de “Compras Calmas”, a proposta brasileira prevê música ambiente desligada, redução de estímulos visuais e atendimento mais acolhedor, com suporte disponível aos consumidores.

Mais do que diminuir o barulho, a iniciativa coloca em discussão um conceito cada vez mais importante no varejo: a acessibilidade sensorial.

Por que isso pode fazer diferença?

A neurodivergência é um conceito amplo que abrange diferentes formas de funcionamento neurológico. Pessoas autistas, por exemplo, podem apresentar respostas sensoriais diferentes diante de sons, luzes, cheiros, texturas e outros estímulos.

Isso não significa que toda pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tenha hipersensibilidade sensorial, nem que todas apresentem as mesmas necessidades. A experiência é individual.

Em ambientes comerciais, porém, a combinação de música, conversas, movimento de pessoas, fragrâncias e elementos visuais pode representar uma carga sensorial elevada para parte do público.

Por isso, iniciativas desse tipo não precisam ser vistas como espaços exclusivos para pessoas com diagnóstico. A proposta é oferecer uma alternativa de experiência para qualquer consumidor que se sinta mais confortável em um ambiente menos estimulante.

De três lojas brasileiras para uma estratégia global

A iniciativa brasileira antecedeu a expansão internacional anunciada pela Sephora em 2026.

A companhia informou que levará seu programa “Quiet Hours” para lojas em todas as regiões onde atua, após um projeto-piloto realizado em 32 unidades de oito mercados.

Segundo a Sephora, 90% dos clientes ouvidos durante o piloto consideraram que a experiência tornava as lojas mais inclusivas e acolhedoras.

A empresa afirma que o projeto foi desenvolvido ouvindo a comunidade neurodivergente, com participação de especialistas e organizações como Open Inclusion e Purposeful Futures, além de grupos internos de funcionários.

Nos períodos de “Quiet Hours”, a rede reduz a música e ajusta telas e outros elementos do ambiente. Em sua orientação ao consumidor, a Sephora também cita a redução de fragrâncias fortes e uma abordagem que permite ao cliente explorar a loja com mais autonomia, mantendo funcionários disponíveis caso seja necessário auxílio.

Inclusão além da publicidade

A iniciativa chama atenção porque transfere o debate sobre diversidade da comunicação para a experiência concreta do consumidor.

Uma marca pode falar sobre inclusão em campanhas, redes sociais e publicidade, mas acessibilidade também envolve a maneira como espaços físicos, serviços e processos são estruturados.

Nesse contexto, pequenas mudanças podem ter impacto significativo: diminuir música, reduzir estímulos visuais, evitar odores excessivos e permitir que o consumidor tenha mais controle sobre a interação com funcionários.

Para pessoas que enfrentam sobrecarga sensorial, essas adaptações podem representar a diferença entre evitar uma loja e conseguir permanecer nela com maior conforto e autonomia.

Um movimento que pode influenciar o varejo

A Sephora afirma ser a primeira varejista de beleza a levar o modelo de “Quiet Hours” a uma escala global.

O conceito, entretanto, faz parte de uma discussão mais ampla sobre ambientes sensorialmente acessíveis em supermercados, cinemas, lojas, eventos e outros espaços de grande circulação.

O ponto central é simples: acessibilidade não se resume ao acesso físico. A experiência sensorial também pode criar barreiras.

Ao incorporar períodos de menor estimulação à rotina das lojas, o varejo passa a reconhecer que consumidores diferentes podem precisar de ambientes diferentes para realizar a mesma atividade com autonomia.

A iniciativa também traz uma mensagem para outras empresas: inclusão não termina na campanha publicitária. Ela pode começar na música que é reduzida, na tela que deixa de disputar atenção, no perfume que não domina o ambiente e na liberdade dada ao cliente para fazer suas escolhas no próprio ritmo.

Fontes: Sephora Brasil; Sephora Newsroom; programa internacional Quiet Hours.

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