A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, decretou intervenção no Consórcio Guaicurus, concessionária responsável pela operação do transporte coletivo urbano da Capital. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 16.658, publicado na edição desta terça-feira (16) do Diário Oficial do Município.
A decisão ocorre em cumprimento a uma determinação judicial e também após as conclusões apresentadas pela Comissão Especial criada para analisar a execução do Contrato de Concessão nº 330/2012, que regula a prestação do serviço de transporte coletivo em Campo Grande.
Segundo o relatório final da comissão, foram identificados elementos que justificam a intervenção para garantir a continuidade, a segurança e a qualidade do serviço prestado à população.
Frota envelhecida e falhas operacionais pesaram na decisão
Entre os principais fatores considerados pela administração municipal estão as condições operacionais da frota do transporte coletivo.
O decreto destaca problemas como o envelhecimento dos veículos, aumento das reprovações em inspeções técnicas, interdições de ônibus e registros de falhas consideradas graves pelos órgãos fiscalizadores.
Nos últimos anos, usuários do transporte coletivo da Capital têm relatado dificuldades relacionadas à superlotação, atrasos, quebras mecânicas e redução na qualidade do serviço, situação que motivou debates frequentes entre o poder público, órgãos de controle e representantes da população.
De acordo com o documento, a intervenção busca proteger o interesse público e garantir que o sistema continue funcionando de forma adequada enquanto são realizadas análises técnicas e administrativas mais aprofundadas.
Quem compõe o Consórcio Guaicurus
O Consórcio Guaicurus possui a concessão exclusiva para operar o Sistema Municipal de Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande.
Atualmente, o grupo é formado pelas empresas:
- Viação Cidade Morena Ltda;
- Viação São Francisco Ltda;
- Jaguar Transportes Urbanos Ltda;
- Viação Campo Grande Ltda.
A intervenção terá duração inicial de até 180 dias.
Interventores assumem gestão da concessão
Para conduzir o processo, a Prefeitura nomeou como interventor-geral Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira, que passa a exercer poderes administrativos necessários para a execução da intervenção.
Também foram designados responsáveis por áreas específicas:
- Rodolfo Bahiense Fernandes – Interventor Administrativo-Financeiro;
- Alexandre Souza Moreira – Interventor Jurídico;
- Robson Tadeu Pereira – Interventor Operacional.
Durante o período de intervenção, a equipe terá autoridade para administrar a concessão e tomar medidas voltadas à manutenção da continuidade do serviço.
O que os interventores poderão fazer
O decreto concede amplos poderes aos interventores para fiscalizar e administrar o sistema.
Entre as atribuições estão:
- Gestão administrativa, operacional, jurídica e financeira da concessão;
- Nomeação de equipes técnicas de apoio;
- Expedição de ordens de serviço e atos administrativos;
- Solicitação de documentos, contratos e registros contábeis;
- Acesso a sistemas informatizados e bancos de dados;
- Fiscalização de garagens, oficinas, terminais e veículos;
- Acompanhamento dos sistemas de bilhetagem eletrônica;
- Realização de auditorias, inspeções e perícias técnicas;
- Revisão dos procedimentos de manutenção da frota;
- Elaboração de recomendações e planos de ação para correção de irregularidades.
A equipe também poderá requisitar apoio de órgãos municipais sempre que necessário para garantir a continuidade da operação.
Consórcio terá obrigação de colaborar
O decreto determina que administradores, dirigentes e funcionários do Consórcio Guaicurus forneçam acesso integral às informações, documentos, instalações e sistemas necessários ao trabalho dos interventores.
Caso haja recusa, omissão de informações ou criação de obstáculos à intervenção, a situação poderá ser comunicada às autoridades competentes para adoção das medidas administrativas, civis e penais cabíveis.
O que muda para os usuários
Apesar da intervenção, o transporte coletivo continua operando normalmente. A Prefeitura afirma que a medida não representa a suspensão da concessão nem a transferência da propriedade dos bens das empresas que compõem o consórcio.
O objetivo, segundo o decreto, é promover uma ampla fiscalização da operação, corrigir possíveis falhas identificadas e garantir mais segurança e qualidade aos usuários do transporte coletivo da Capital.
A intervenção marca um dos momentos mais significativos da história recente da mobilidade urbana de Campo Grande e poderá influenciar diretamente o futuro do sistema de transporte público da cidade.



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