A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) presta nesta quarta-feira (24) uma das mais significativas homenagens de sua história recente ao ex-governador Marcelo Miranda Soares, que morreu nesta terça-feira (23), aos 87 anos, em Campo Grande, após complicações decorrentes de uma pneumonia.
Reconhecido como um dos protagonistas da consolidação política e administrativa de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda terá o velório realizado no saguão Nelly Martins, na sede do Parlamento estadual, a partir das 8 horas. A cerimônia será aberta ao público.
Em sinal de respeito e luto, as bandeiras da Assembleia permanecem hasteadas a meio-mastro e a Mesa Diretora decretou luto oficial de três dias.
Trajetória ligada à história de Mato Grosso do Sul
A história de Marcelo Miranda se confunde com a própria construção institucional de Mato Grosso do Sul. Nascido em Uberaba (MG), em 1938, ele chegou à região ainda na década de 1970 para trabalhar na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, em Três Lagoas.
Engenheiro civil e administrador público, ingressou na vida política após ser eleito prefeito de Campo Grande em 1976. Poucos anos depois, assumiu o Governo do Estado em um dos momentos mais delicados da jovem unidade federativa.
Em 1979, após a exoneração do então governador Harry Amorim Costa pelo presidente da República, João Batista Figueiredo, Mato Grosso do Sul enfrentou uma crise institucional. Sem vice-governador, o comando do Executivo foi assumido interinamente pelo então presidente da Assembleia Legislativa, Londres Machado.
Foi justamente a Assembleia Legislativa que conduziu os procedimentos legais para garantir a estabilidade administrativa do Estado. Após o período de interinidade, Marcelo Miranda tomou posse como governador em 30 de junho de 1979, tornando-se uma das figuras centrais nos primeiros anos de organização política e administrativa de Mato Grosso do Sul.
Mais tarde, foi eleito senador da República e retornou ao Governo do Estado em 1987, tornando-se o primeiro governador sul-mato-grossense escolhido pelo voto direto após o processo de redemocratização do país.
Homenagens e reconhecimento
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro, lamentou a morte do ex-governador e destacou sua contribuição para o desenvolvimento do Estado.
“Mato Grosso do Sul recebe com pesar a notícia do falecimento do ex-governador Marcelo Miranda. Ao longo de sua trajetória na vida pública, exerceu importantes funções, entre elas as de prefeito de Campo Grande, governador do Estado e senador da República, contribuindo para o desenvolvimento e para a consolidação das instituições sul-mato-grossenses. Sua atuação integra a história política de Mato Grosso do Sul e deixa uma contribuição relevante para o Estado”, afirmou.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa, Londres Machado, também prestou homenagem ao amigo de longa data.
“Recebi com tristeza a notícia da partida do meu amigo Marcelo Miranda. Tivemos uma convivência política muito boa e uma relação marcada pelo respeito e diálogo. Tive a honra de trabalhar ao seu lado como chefe da Casa Civil e guardarei as lembranças desse período de confiança mútua”, declarou.
Legado para as futuras gerações
O legado político de Marcelo Miranda segue presente na vida pública sul-mato-grossense. Entre os familiares que seguiram carreira política está seu neto, o deputado estadual João Henrique, que relembrou os ensinamentos recebidos do avô.
“Eu o acompanhava nas campanhas desde os dez anos de idade, aprendendo na prática o valor do compromisso com a população e o significado de servir com integridade”, afirmou em nota.
Ao longo de mais de três décadas de atuação pública, Marcelo Miranda ocupou cargos estratégicos como prefeito de Campo Grande, governador de Mato Grosso do Sul em dois períodos, senador da República e superintendente regional do DNIT. Sua trajetória permanece ligada ao fortalecimento das instituições, à expansão da infraestrutura e ao desenvolvimento de diversos municípios sul-mato-grossenses.
Com a despedida de Marcelo Miranda, Mato Grosso do Sul perde uma de suas principais lideranças políticas, cuja história permanece entrelaçada aos primeiros capítulos da construção do Estado e da própria Assembleia Legislativa.






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