Israel Campos conquistou o primeiro lugar em seleção pública para desenvolver a capacitação dos profissionais que atuarão no acolhimento de vítimas de racismo e intolerância religiosa
O pesquisador e educador baiano Israel Marques Campos foi selecionado para desenvolver a metodologia nacional de formação dos profissionais que atuam nas Casas da Igualdade Racial. A iniciativa integra uma política do Ministério da Igualdade Racial (MIR), realizada em parceria com estados e municípios.
Graduado, mestre e doutor pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Israel Campos ficou em primeiro lugar na seleção pública para a única vaga prevista no Edital nº 04/2025. O resultado oficial mostra que o pesquisador alcançou 86 pontos, superando os demais candidatos classificados. Confira o resultado publicado pelo Ministério da Igualdade Racial.
A consultoria faz parte do Projeto BRA/15/010, voltado ao fortalecimento e à expansão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR). O trabalho prevê a elaboração de uma metodologia estruturada para capacitar os chamados Agentes de Igualdade Racial, responsáveis por receber, orientar e encaminhar pessoas atendidas pelas unidades.
Formação para atendimento humanizado
Entre as atribuições previstas estão a realização de um diagnóstico das necessidades formativas, a criação de um plano pedagógico, a definição dos módulos e dos objetivos de aprendizagem e a produção de referenciais teóricos, jurídicos e educacionais.
A metodologia também deverá orientar profissionais de comunicação, assessoria jurídica, psicologia, assistência social e mobilização territorial, além de preparar multiplicadores capazes de levar o conteúdo para diferentes regiões do país.
O edital estabelece ainda a elaboração de estratégias específicas de acolhimento e proteção para pessoas vítimas de racismo. O objetivo é garantir que os agentes estejam preparados para oferecer atendimento seguro, inclusivo e tecnicamente qualificado.
Para Israel Campos, a participação no projeto representa uma oportunidade de transformar conhecimento acadêmico em uma ferramenta de proteção de direitos.
“Integrar a construção das Casas da Igualdade Racial é mais que uma honra, mas uma missão de promover a educação em Direitos Humanos. Essa conquista simboliza não apenas reconhecimento individual, mas o fortalecimento de uma agenda nacional que articula conhecimento e justiça racial”, afirmou.
O pesquisador também destaca que o investimento em conhecimento técnico e científico comprometido com a equidade é indispensável diante dos desafios enfrentados pela democracia brasileira.
“Investir em conhecimento técnico-científico comprometido com a equidade é condição fundamental para a construção de um Brasil mais justo, plural e inclusivo”, completou.
O que são as Casas da Igualdade Racial
As Casas da Igualdade Racial são equipamentos públicos destinados ao acolhimento de pessoas vítimas de racismo, discriminação racial e intolerância religiosa. O atendimento é multidisciplinar e pode envolver orientação jurídica, acompanhamento social e psicológico, fortalecimento comunitário e encaminhamento para políticas públicas.
De acordo com o Ministério da Igualdade Racial, o trabalho das unidades está dividido em cinco eixos:
- Justiça racial;
- Inclusão produtiva;
- Cultura e educação;
- Fortalecimento comunitário;
- Articulação e pactuação com instituições e redes de atendimento.
Além de receber denúncias e oferecer suporte às vítimas, os espaços desenvolvem atividades educativas e culturais, ações de desenvolvimento profissional e iniciativas voltadas principalmente à inclusão de jovens e mulheres negras.
Atualmente, o Brasil possui cinco Casas da Igualdade Racial em funcionamento, localizadas no Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Pelotas (RS), Salvador (BA) e Itabira (MG). O Governo Federal também prevê a abertura de mais uma unidade ainda em 2026. Veja as informações oficiais sobre as Casas.
Fortalecimento de uma política nacional
A formação dos agentes busca estabelecer uma referência comum para o funcionamento das unidades sem ignorar as particularidades sociais, culturais e territoriais de cada região.
Segundo a documentação do projeto, a falta de uma diretriz nacional para os serviços de enfrentamento ao racismo reduz a efetividade das ações existentes. A criação de uma metodologia unificada pretende qualificar o atendimento, facilitar a expansão das Casas e melhorar a articulação entre União, estados e municípios.
O trabalho está fundamentado no Estatuto da Igualdade Racial, instituído pela Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010. A legislação busca garantir à população negra igualdade de oportunidades, proteção dos direitos étnicos individuais e coletivos e enfrentamento à discriminação e às diferentes formas de intolerância.
O Estatuto também instituiu o SINAPIR, sistema responsável pela organização e articulação das políticas e dos serviços destinados à promoção da igualdade racial no país. Conheça a importância do Estatuto da Igualdade Racial.
Trajetória acadêmica e profissional
Israel Campos é graduado, mestre e doutor pela Universidade Federal da Bahia e desenvolve pesquisa de pós-doutorado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
O professor possui mais de 30 artigos científicos publicados em áreas como Educação, Direitos Humanos, Tecnologia e Saúde. Também reúne experiências em consultorias para organismos internacionais, ministérios federais e estruturas da alta gestão pública.
Com a nova missão, sua trajetória acadêmica passa a contribuir diretamente para a formação dos profissionais que estarão na linha de frente do acolhimento às vítimas e da implementação das políticas de promoção da igualdade racial nos territórios brasileiros.


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